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21 Julho 2004
- Ah bem - disse Sam - isso é porque a primeira lista foi escrita em Élfico. Você é o mesmo, Ellie, em ambas as listas, porque seu nome é do povo Élfico; mas Frodo é Lorhail, Rosa chama-se Beril, Merry é Riben, Pippin é Cordof, Cachinhos Dourados é Glorfinniel, Hamfast é Marthanc, e Margarida é Arien. Então agora vocês sabem deste nosso pequeno segredo.
- Bem, isso é realmente esplêndido - disse sorrindo o jovem Frodo - agora todos nós temos nomes Élficos, mas qual é o seu, papai?
- Meu nome é bastante peculiar - disse Sam - pois na parte Élfica, se você quer saber, o que o Rei diz é "Mestre Perhail", que deveria preferivelmente ser chamado de Lanhail, e isso significa, eu acho, "Sábio-Franco". Então agora que você sabe o que o Rei pensa sobre seu pai, você talvez dê mais atenção ao que ele diz.
- E lhe faça muito mais perguntas - disse Frodo sorrindo.
- Quando será o dia 25º de Março - disse Pippin - para quem os dias eram ainda as medidas mais longas de tempo que realmente poderiam ser alcançadas. Vai ser logo?
- É daqui a uma semana - disse Elanor - quando nós partiremos?
- E o que nós usaremos? - disse Rosa.
- Ah, quanto a isso - disse Sam - a Senhora Rosa terá uma palavra a esse respeito. Mas vocês serão surpreendidos, meus queridos. Nós fomos avisados há muito tempo e nos preparamos para o dia. Vocês vão nas roupas mais adoráveis que alguma vez já viram, e nós vamos em uma carruagem. E se vocês forem todos muito bons e estiverem com aparência tão adorável quanto estão agora, eu não ficarei nada surpreso se o Rei não nos pedisse para que fossemos com ele para a sua casa perto do Lago. E a Rainha de Gondor, Arwen, também estará lá.
- E nós ficaremos acordados para a ceia - perguntou Rosa - a quem a proximidade de entrar na adolescência quando poderia ficar acordada para a ceia fez disso uma preocupação sempre presente.
- Nós ficaremos durante semanas, até a colheita pelo menos - disse Sam - e faremos o que o Rei diz. Mas quanto a ficar acordado para a ceia, sem dúvida nenhuma a Rainha terá uma ordem contrária ou a favor disso. E agora se vocês não tiverem o bastante sobre o que sussurrar por horas e para sonhar até o nascer do nascer do sol, então eu não sei o que mais posso lhes contar.
As estrelas estavam brilhando em um céu claro: era o primeiro dia do claro encanto luminoso que veio todos os anos ao Condado ao término de março, e era todo o ano bem-vindo e louvado como algo surpreendente. Todas as crianças estavam na cama. As luzes ainda estavam brilhando na Vila dos Hobbits e em muitas casas pontilhadas junto à cerca da escura zona rural. Sam ficou de pé à porta e olhou ao longe, para o leste. Ele puxou Rosa para junto de si e a segurou. Em breve será 25 de março (nota 05) - ele disse - nesta época, há dezessete anos atrás, esposa Rosa, eu não pensei que ver-te-ia novamente. Mas eu continuei esperando.
- E eu nunca esperei absolutamente, Sam, - ela disse - até aquele mesmo dia; e então de repente aconteceu. No meio da manhã eu comecei a cantar, e o papai disse: "Quieta moça, ou os Rufiões virão" - e eu disse - "Deixe-os vir. O tempo deles estará terminado logo. Meu Sam está voltando" (nota 6).
- E você voltou - disse Rosa.
- Eu voltei - disse Sam - para o lugar mais amado em todo o mundo. Eu estava dividido em dois, mas agora estou inteiro. E tudo aquilo que eu tenho, e tudo aquilo que eu tive eu ainda tenho aqui.
Aqui o texto como foi escrito originalmente nos rascunhos termina, mas subseqüentemente meu pai (o professor Tolkien) adicionou a este o seguinte complemento:
"Eles entraram e fecharam a porta, mas neste momento ela e Sam ouviram o suspiro de um murmúrio no mar litoral da Terra-Média".
Não pode ser posto em dúvida que este fosse o real término do Senhor dos Anéis, pelo menos nos rascunhos preliminares feitos por meu pai. Todavia, em algum momento desconhecido ele mudou de idéia e optou por não utilizar o texto acima.
Uma cópia justa se seguiu, e esta foi entitulada 'Epílogo', sem número de capítulo; subseqüentemente o 'Epílogo' foi alterado para 'Fim do Livro', novamente sem número. As mudanças feitas ao rascunho original eram notavelmente poucas: ajustes muito secundários e melhorias no fluxo da conversação entre Sam e os seus filhos, e a alteração ou amplificação de certos detalhes.
Merry Gamgi sabe agora que Bandobrás Tûk 'matou o rei dos orcs': a referência é 'Uma Festa Inesperada' em O Hobbit, onde é contado que o Urratouro 'atacou os pelotões dos orcs de Monte Gram na Batalha dos Campos Verdes, e arrancou a cabeça do seu rei, Golfimbul, com um taco de madeira'. A respeito da partida dos Elfos, Sam não diz que 'eles não estão navegando mais', mas sim que 'eles não estão navegando com mais freqüência', e ele continua: 'Aqueles que ficaram pra trás quando Elrond partiu, vão em sua maioria ficar para sempre, ou durante um tempo muito longo. Mas eles são cada vez mais difíceis de achar ou de falar. Dos Ents ele observa que eles são 'muito fechados, muito secretos, e que eles não gostam muito das pessoas'; e dos Anões que vieram de Erebor para Minas Tirith com Gimli ele diz 'eu ouvi dizer que eles se fixaram sobre as Montanhas Brancas não muito longe da Cidade', enquanto 'Gimli vai uma vez por ano para ver as Cavernas Cintilantes... contrariando o Apêndice A, livro III, no fim, onde é dito que Gimli se tornou o Senhor das Cavernas Cintilantes de Aglarond.
A carta do Rei agora começa Aragorn Filho de Arathorn Elessar o Pedra Élfica; e a data da sua vinda para a Ponte do Brandevin era agora 'o oitavo dia da Primavera, ou na contagem do Condado o segundo dia de Abril', uma vez que o meu pai tinha decidido, já enquanto escrevendo a primeira versão do epílogo (veja nota 5), que o dia 25 de Março não era o dia no qual o Rei viria à Ponte, mas o dia no qual O Senhor dos Anéis chegava a um final. (nota 7)
O nome de Margarida Gamgi é agora Erien (Arien na primeira versão); e na carta do Rei Sam é chamado de 'Mestre Perhail' que deveria ser chamado Panthail o qual Sam interpreta como 'Mestre Samwise que deve ser chamado Repleto de Sabedoria'. Foram feitas outras mudanças depois à segunda versão, e estas foram levadas para o terceiro texto e texto final desta versão do 'Epílogo', esta datilografada. A esta meu pai deu o título revisado da segunda versão, 'O Fim do Livro', com um número de capítulo 'LVIII'8, mas ele então retirou ambos título e número e reverteu para 'Epílogo'. O texto se inicia assim:
Uma noite, em Março de 1436, Mestre Samwise Gamgi estava sossegado a beira do fogo em seu estúdio, e seus filhos estavam juntos ao seu redor, como não era incomum. Embora sempre fosse suposto para ser uma ocasião especial, um Comando Real, que era mais freqüentemente ordenado pelos assuntos do que pelo Rei.
Este dia, porém, realmente era uma ocasião especial. Em primeiro lugar era o aniversário de Elanor (nota 9); por outro lado, Sam tinha estado lendo em voz alta de um grande Livro Vermelho, e ele há pouco tinha chegado exatamente ao fim, depois de um progresso lento através dos seus muitos capítulos que tinham ocupado muitos meses. Em um banquinho ao seu lado sentou-se Elanor.
Sam agora diz sobre as Entesposas: 'Eu penso que talvez as Entesposas não queiram ser encontradas'. E depois das suas palavras: 'Mas agora nenhuma pergunta mais hoje à noite', a passagem seguinte foi introduzida no texto:
- Apenas mais uma, por favor! - implorou Merry - eu quis perguntar antes, mas Ellie e Frodo entram em tantas questões que nunca há qualquer espaço pra mim.
- Bem então, apenas mais uma - disse Sam.
- Sobre cavalos - disse Merry - quantos cavalos os Cavaleiros perderam na batalha, e eles criaram muitos mais? E o que aconteceu ao cavalo de Legolas? E o que Gandalf fez com Scadufax? E eu posso ter um pônei logo? - ele terminou sem fôlego.
- Isso é muito mais de uma pergunta: você é pior que Gollum - disse Sam - você vai ter um pônei no seu próximo aniversário, como eu lhe falei antes. Legolas deixou o seu cavalo correr livremente de Isengard de volta para Rohan; e os Cavaleiros têm mais cavalos do que nunca tiveram, porque ninguém os rouba mais; e Scadufax partiu no Navio Branco com Gandalf: é claro que Gandalf não poderia tê-lo deixado para trás. Agora terá que terminar. Mais nenhuma pergunta. Pelo menos não até depois de ceia.
A carta do Rei agora começa Aragorn Tarantar (o qual Sam explica 'aquele que caminha rápido') Filho de Aranthorn, etc. Tarantar foi alterado na datilografia para Telcontar (passolargo): veja VIII. 390 e nota 14. O nome de Rosa em Élfico se torna Meril (em lugar de Beril), e o de Hamfast se torna Baravorn (em lugar de Marthanc); o nome Élfico de Margarida reverte para Arien (em lugar de Erien), a forma na primeira versão do epílogo. Embora nunca publicada, naturalmente, esta versão do Epílogo é, eu acredito, muito bem conhecida, de cópias feitas do texto na Universidade Marquette. Meu pai nunca teria publicado de fato esta, até que ele tivesse decidido no fim concluir O Senhor dos Anéis com um epílogo, pois este foi substituído por uma segunda versão na qual enquanto muito das notícias de Sam de fora do Condado foi mantido a sua estrutura e apresentação foram radicalmente mudadas (nota 10). Desta versão existem dois textos. O primeiro é um manuscrito bom e claro com algumas correções; que não tem nem título nem número de capítulo. O segundo é um texto datilografado que embora feito pelo meu pai seguiu o manuscrito de forma muito próxima realmente; este é intitulado 'Epílogo', com o número de capítulo 'X' (i.e. do Livro Seis). Eu lhes dou aqui, por completo, o texto datilografado:
Tolkien imaginou seu mundo de modo semelhante a forma como os antigos cartógrafos medievais. Eles mostravam a terra como um disco, com oceanos na circunferência. O topo ficava voltado para o paraíso no leste. Mas Tolkien escreveu o contrário, e segundo ele, os pontos cardeais estavam voltados para o oeste.

Beleriand estava entre as terras mais belas e mais antigas de toda Arda. Ela não estava localizada nas Terras Imortais de Aman, mas sim a leste do mar, pois Beleriand era uma parte da Terra-média mortal. Ela estava situada ao norte deste grande continente e a leste das Montanhas Azuis. Os grandes reinos dos Sindar estavam neste continente.
A Terra-média faz parte do mundo originalmente criado no Ainulindalë, e sem dúvida é o continente mais fartamente documentado e rico em histórias em toda Arda. Foi na Terra-média que todas as raças do mundo despertaram para a vida: elfos, homens, ents, anões, hobbits e mesmo orcs e dragões vieram a ser criados na Terra-média.


