tolkien_03Existe uma pequena coleção de manuscritos muito tardios, mantidos juntos, semelhantes em aparência, e todos escritos nos lados em branco de boletins emitidos pela Allen & Unwin.  

Em sua maioria são copias do mesmo boletim, datado de 19 de janeiro de 1970 (usados por meu pai também em sua última versão da história de Maeglin, XI. 316), mas um destes escritos foi desenvolvido de uma resposta a um correspondente enviada em 9 de dezembro de 1972, e outro é por ele datado em 20 de novembro de 1972. Acredito ser muito provável que toda a coleção pertença a este período, o último ano de sua vida: ele morreu em 2 de setembro de 1973, aos 81 anos. Há claras evidências de confusões (como ele dizia sobre o assunto, minha memória não é mais retentiva); mas há elementos nestes que são de grande interesse e deveriam ser registrados.  

 


A respeito de Glorfindel

No verão de 1938, quando meu pai estava meditando sobre 'O Conselho de Elrond' em 'O Senhor dos Anéis', escreveu: 'Glorfindel fala de seus antepassados em Gondolin' (VI. 214). Mais de trinta anos depois ele levantou a questão se Glorfindel de Gondolin e Glorfindel de Valfenda eram a mesma pessoa, e esta questão foi debatida em duas discussões, juntamente com outros escritos breves ou fragmentários intimamente associados a estes. Irei me referir a eles como 'Glorfindel I' e 'Glorfindel II'. A primeira página de Glorfindel I está faltando, e a segunda página começa com as palavras 'como guardas ou assistentes'. Então segue-se:

Um Elfo que um dia conheceu a Terra-média e que lutou nas longas guerras contra Melkor seria um companheiro eminentemente apropriado para Gandalf. Podemos então razoavelmente supor que Glorfindel (possivelmente pertencendo a um pequeno grupo (nota 01), mais provavelmente como uma companhia solitária) desembarcou com Gandalf-Olórin por volta do ano 1000 da Terceira Era. Esta suposição pode de fato explicar o ar de poder e santidade especiais que cercam Glorfindel - note como o Rei dos Bruxos fugiu dele, enquanto todos os outros (como o Rei Eärnur) embora corajosos, não conseguiram induzir seus cavalos a enfrentá-lo. De acordo com registros (completamente independentes deste caso) sobre a natureza Élfica, dados em outro local, e suas relações com os Valar, quando Glorfindel foi morto seu espírito pôde então ir para Mandos e ser julgado, e então permanecer nos Palácios da Espera até que Manwë lhe concedesse a liberdade. Os Elfos eram por natureza destinados a serem imortais até os limites desconhecidos da vida na Terra como um mundo habitável, e seu desencarne era fato grave.

Era então dever dos Valar, restaurá-los, se estivessem mortos para a vida encarnada, se eles assim o desejassem a não ser por alguma razão grave (e rara): como os feitos de grande mal, ou quaisquer feitos de malícia dos quais permanecessem obstinadamente sem arrependimento. Quando eram reincorporados podiam permanecer em Valinor ou retornar a Terra-média se seu lar tivesse sido lá. Podemos então razoavelmente supor que Glorfindel, após a purificação ou perdão por seu papel na rebelião dos Noldor, foi liberto de Mandos e tornou-se ele mesmo novamente, mas permaneceu no Reino Abençoado - pois Gondolin fora destruída e todos ou a maior parte de seus parentes tinham perecido. Podemos assim entender porque ele nos parece uma figura tão poderosa e quase angelical. Tinha retornado à primitiva inocência dos Primogênitos, e tinha então vivido entre aqueles Elfos que nunca se rebelaram, e na companhia dos Maiar (nota 02) por eras: desde os últimos anos da Primeira Era, através da Segunda Era, e até o final do primeiro milênio da Terceira Era: antes de retornar a Terra-média (nota 03). É de fato provável que em Valinor tenha se tornado amigo e seguidor de Olórin. Mesmo nos breves vislumbres dados sobre ele em ''O Senhor dos Anéis'' aparece especialmente preocupado com Gandalf, e foi um (o mais poderoso, ao que parece) dos que foram mandados de Valfenda quando as inquietantes notícias de que Gandalf nunca reaparecera para guiar ou proteger o Portador do Anel, chegaram a Elrond.

O segundo ensaio, Glorfindel II, é um texto de cinco páginas manuscritas que sem dúvida seguiu o primeiro a um curto intervalo; mas um pedaço de papel no qual meu pai apressadamente colocou alguns pensamentos sobre a matéria, presumivelmente veio entre eles, visto que ele disse ali que enquanto Glorfindel deve ter vindo com Gandalf, 'parece bem mais verossímil que ele tenha sido mandado na crise da Segunda Era, quando Sauron invadiu Eriador, para auxiliar Elrond, e embora (ainda) não mencionado nos anais que relatam a derrota de Sauron, ele representou um notável e heróico papel na guerra.' Ao final desta nota ele escreveu as palavras 'navio Númenoriano', presumivelmente indicando como Glorfindel poderia ter cruzado o Grande Mar.

Seu nome é de fato derivado do mais antigo trabalho na mitologia de meu pai: A Queda de Gondolin, composto em 1916-1917, no qual a língua Élfica que finalmente tornou-se o tipo conhecido como Sindarin estava em uma forma primitiva e desorganizada, e sua relação com o tipo Alto Élfico (por si mesmo bastante primitivo) era ainda casual. A intenção era que seu nome significasse 'Tranças Douradas' (nota 04), e foi o nome dado ao heróico Elfo (Noldo), um líder de Gondolin que na passagem de Cristhorn (abismo das águias) lutou com um Balrog [demônio], o qual matou a custo de sua própria vida.

Seu uso em ''O Senhor dos Anéis'' é um dos casos de uso um tanto aleatório de nomes encontrados nas antigas lendas, agora conhecidas como sendo O Silmarillion, e que escapou à reconsideração na versão final publicada de ''O Senhor dos Anéis''. Isto é lamentável, uma vez que agora o nome é difícil de se ajustar ao Sindarin, e possivelmente não o pode ser em Quenya. Da mesma forma, na atual mitologia organizada, as dificuldades estão presentes nos registros sobre Glorfindel em ''O Senhor dos Anéis'', se Glorfindel de Gondolin é supostamente a mesma pessoa que Glorfindel de Valfenda.

Quanto ao primeiro Glorfindel: foi morto na Queda de Gondolin ao final da Primeira Era, e se um líder daquela cidade deveria ser um Noldo, um dos Senhores Élficos da hoste do Rei Turukano (Turgon); em qualquer caso quando 'A Queda de Gondolin' foi escrita ele certamente foi concebido como tal. Mas os Noldor em Beleriand foram exilados de Valinor, tendo se rebelado contra a autoridade de Manwë, supremo dirigente dos Valar, e Turgon foi um dos defensores mais determinados e impenitentes da rebelião de Fëanor (nota 05). Não há como escapar disso. Gondolin em 'O Silmarillion' é dita construída e ocupada por um povo de origem quase inteiramente Noldorin (nota 06). Poderia ser possível, embora fosse inconsistente supor, que Glorfindel era um príncipe de origem Sindarin que uniu-se à tropa de Turgon, mas isto contradiz inteiramente o que é dito sobre Glorfindel em Valfenda em ''O Senhor dos Anéis'': particularmente em 'A Sociedade do Anel', p 235, onde diz-se ser ele um dos (...senhores dos Eldar de além dos mares mais distantes... que havia morado no Reino Abençoado..). Os Sindar nunca deixaram a Terra-média.

Esta dificuldade, muito mais séria que a de lingüística, deve ser considerada primeiramente. De qualquer forma a solução que à primeira vista parece ser a mais simples, deveria ser abandonada: a de que temos meramente uma repetição de nomes, e que Glorfindel de Gondolin e Glorfindel de Valfenda foram pessoas diferentes. Esta repetição de um nome tão impressionante, embora possível, não é crível (nota 07). Nenhum outro personagem principal das lendas Élficas como as relatadas em 'O Silmarillion' e ''O Senhor dos Anéis'' teve um nome ostentado por outra personalidade Élfica de importância. Também pode ser percebido que a aceitação da identidade do Glorfindel de tempos antigos e da Terceira Era verdadeiramente explica o que é dito sobre ele e aprimora a história.



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As Eras das Lâmpadas
Diz-se entre os sábios que a Primeira Guerra começou antes que Arda estivesse totalmente formada, e antes mesmo que qualquer criatura crescesse ou caminhasse sobre a terra; e por muito tempo Melkor prevaleceu.  Entretanto um espírito de enorme força e resistência veio em auxílio dos Valar; e Arda se encheu com seu riso.

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O Senhor da Alta-Fantasia
O tema de fundo do Senhor dos Anéis é o desejo de Poder exercitado através do domínio, o desejo devastador em nível tanto individual como social. Antes de tudo, o poder ofende e corrói a mente. Quem é vítima dele pesa cada coisa com extremo cuidado sobre a balança de sua própria maldade. Um modo de agir típico de mentes calculistas e um tanto paranóicas.

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A Terra-Média
A Terra-média faz parte do mundo originalmente criado no Ainulindalë, e sem dúvida é o continente mais fartamente documentado e rico em histórias em toda Arda. Foi na Terra-média que todas as raças do mundo despertaram para a vida: elfos, homens, ents, anões, hobbits e mesmo orcs e dragões vieram a ser criados na Terra-média.
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