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21 Julho 2004
Nota de Cristopher Tolkien: as palavras finais do livro O Senhor dos Anéis, são: "é, aqui estou de volta..." mas as coisas não foram planejadas para acabarem assim quando meu pai as escreveu no longo manuscrito do rascunho.
Fica óbvio neste manuscrito que o texto continuou sem interrupção ainda por algum tempo, e não há de fato nenhuma indicação de que meu pai pensasse no que ele o estava escrevendo como notadamente separado do texto original, e nem como algo que seria parte do mesmo texto, mas publicado separadamente. Eu lhes concedo agora esta última parte o Senhor dos Anéis, está um pouco rústica, mas de todo legível. As idades dos filhos de Sam foram adicionadas quase certamente no último momento de sua escrita: Elanor tem 15 anos, Frodo 13, Rosa 11, Merry 9, e Pippin 7.
Em uma noite em Março [adicionado em 1436] (nota 2) Mestre Samwise Gamgi estava sossegado à beira do fogo em seu estúdio, as crianças estavam todas juntas ao seu redor, como não era nada incomum, embora Sam sempre sentisse um prazer especial nestes momentos.
Ele estava lendo em voz alta (como sempre fazia) de um grande Livro Vermelho guardado num pedestal de madeira, em um banquinho a seu lado dele se sentou Elanor, ela era uma linda criança, com a pele mais bela que a maioria das donzelas hobbits e mais esbelta de qualquer outra, Elanor se encontrava na idade da adolescência dos hobbits. Havia o jovem Frodo no tapete, que apesar do nome era uma boa cópia de Sam, como seria de se esperar. Rosa, Merry, e Pippin estavam sentados em cadeiras grandes demais para eles. Cachinhos Dourados tinha ido para a cama, pois era muito nova, havia chegado depois de Pippin e tinha apenas cinco anos... o Livro Vermelho ainda era uma leitura pesada demais para a pequena Cachinhos Dourados apreciar. Mas ela não foi a última da linhagem dos Gamgi, pois Sam e Rosa pareciam rivalizar o Velho Gerontius Tûk no número dos seus filhos de forma tão bem sucedida quanto Bilbo o havia tinha ultrapassado em idade, pois ainda havia o pequeno Ham e a Margarida em seus berços.
- Bem querida - disse Sam - a flor cresceu lá uma vez, digo isso porque vi com os meus próprios olhos.
- Ainda cresce, papai?
- Eu não vejo por que não deveria, Ellie. Já faz anos que não viajo como fiz na minha juventude, como você sabe, especialmente tendo todos vocês para cuidar - a plebe regular, o velho Saruman teria chamado vocês. Mas o Sr. Merry e o Sr. Pippin estiveram no sul mais de uma vez, isso por também serem membros dos reinos de Gondor e Rohan.
- Eles têm crescido bastante - disse Merry - eu queria poder ficar tão alto quanto o Sr. Meriadoc da Terra dos Buques. Ele é o maior hobbit que já existiu, maior ainda do que Bandobrás.
- Não maior do que o Sr. Peregrin de Tuqueburgo - disse Pippin - e ele tem o cabelo quase dourado. Ele não é o Príncipe Peregrin lá longe, na Cidade de Pedra, papai?
- Bem, ele nunca é chamado deste modo - disse Sam - mas é altamente considerado por todos, isso eu sei. Mas agora onde nós estávamos quando paramos ontem?
- Em nenhuma parte - disse o jovem Frodo - eu quero ouvir falar novamente da Aranha. Eu gosto mais das partes onde você entra, papai.
- Mas papai, você estava falando sobre Lórien - disse Elanor - e eu perguntei se a minha flor ainda cresce lá.
- Eu espero que cresça, Ellie querida. Pois como eu estava dizendo ao Sr. Merry, embora a Senhora tenha partido, os Elfos ainda vivem lá.
- Quando eu posso ir lá e ver? Eu quero ver os Elfos, papai, e eu quero ver a minha própria flor.
- Se você olhar em um espelho verá uma que é mais doce - disse Sam - embora eu não devesse estar lhe falando, porque você descobrirá isto muito em breve por si própria.
- Mas isso não é o mesmo. Eu quero ver a colina verde e as flores brancas e douradas, e ouvir os Elfos cantar.
- Então talvez você vá um dia - disse Sam - eu falei o mesmo quando eu tinha sua idade, e muito tempo depois parecia não haver nenhuma esperança, contudo se tornou realidade.
- Mas os Elfos ainda estão velejando longe, não estão? E logo não haverá mais nenhum aqui - disse Rosa - haverá, papai? E então tudo aquilo serão apenas lugares, lugares muito bonitos, mas, mas...
- Mas o que mocinha?
- Mas não será como nas histórias...
- Bem, seria assim se eles todos estivessem indo embora - disse Sam - mas me disseram que eles não estão todos embarcando. Os Guardiões dos Anéis foram para os Portos e partiram, mas aqueles que decidiram ficar quando Mestre Elrond partiu continuam aqui. Assim ainda existirão Elfos nestas terras por muitos e muitos anos.
- Ainda penso que foi muito triste quando Mestre Elrond deixou Valfenda e a Senhora deixou Lórien - disse Elanor - o que aconteceu a Celeborn? Ele está muito triste?
- Penso que sim, querida. Elfos são tristes; em parte é isso que os faz tão bonitos, e também é em parte por isso que nós não vemos muitos deles. Celeborn vive em sua própria terra como sempre fez - disse Sam - Lórien é a terra dele, e ele ama as árvores.
- Ninguém mais no mundo - disse Merry - viu crescer um Mallorn como o que nós temos aqui no Distrito, viu? Somente nós e o Senhor Keleborn. (nota 3)
- Assim eu acredito - disse Sam - que secretamente tinha este como um dos maiores orgulhos de sua vida. Celeborn vive entre as árvores, e está feliz com isso. Agora os Elfos podem se dispor a esperar. Elfos sempre podem esperar, pois tem vidas imortais. O tempo dele ainda não é chegado. A Senhora veio para a terra de Lórien, mas agora se foi (nota 4); e ele ainda tem a terra. Quando Celeborn se cansar de seu reino, ele irá deixá-lo. O mesmo irá acontecer com Legolas, ele veio com o seu povo e agora vivem nas terras de Gondor, do outro lado do Rio, em Ithilien. Eles tornaram Ithilien uma terra muito adorável, de acordo com o Sr. Pippin. Legolas irá para o Mar um dia, eu não duvido, mas isso não irá acontecer enquanto Gimli estiver vivo.
- Mas e Gimli - disse o jovem Frodo - o que aconteceu com ele? Eu gostei dele. Por favor, eu posso ter um machado logo, papai? Há algum orc restante?
- Eu ouso dizer que ainda existem orcs - disse Sam - se você souber onde procurar. Mas não há nenhum no Condado, e você não terá um machado para cortar cabeças, rapazinho, nós não os fazemos. Mas quanto a Gimli, ele foi trabalhar para o Rei na Cidade de Pedra, ele e seu povo trabalharam por muito tempo, e ficaram orgulhosos de seu trabalho, e no fim fixaram morada sob as montanhas ao longe, lá para o oeste atrás da Cidade, e lá eles ainda estão.
- E Legolas viu novamente Barbárvore? - perguntou Elanor.
- Eu não posso dizer, querida - disse Sam - eu nunca ouvi falar de qualquer um que alguma vez tenha visto um Ent desde aqueles dias. Se o Sr. Merry ou o Sr. Pippin têm visto algum deles, mantêm isto em segredo. Os Ents são muito fechados.
- E eles nunca acharam as Entesposas?
- Bem, nós não vimos nenhuma aqui, vimos? - disse Sam.
- Não vimos não - disse Rosie - mas eu sempre as procuro quando entro na floresta. Eu gostaria muito que as Entesposas fossem encontradas.
- Eu também gostaria - disse Sam suspirando - mas receio que seja uma dificuldade antiga, antiga demais e profunda demais para povos como nós repararmos, minha querida. Mas agora mais nenhuma pergunta hoje à noite, pelo menos não até depois da ceia.
- Mas isso não é justo, disseram ambos, Merry e Pippin, que ainda não estavam na adolescência. Nós teremos que ir direto para cama.
- Não fale assim comigo - disse Sam ternamente - se não for justo para Ellie e Frodo se sentar depois da ceia, então não será justo para eles terem nascido mais cedo, e não será justo que eu sou seu pai e você não é o meu. Assim nada mais disso, aproveite o seu tempo e o que é devido no seu tempo, ou eu falarei para o Rei.
Eles já tinham ouvido esta ameaça antes, mas algo na voz de Sam a fez soar mais sério nesta ocasião do que em outras. Quando você verá o Rei? - perguntou o jovem Frodo.
- Mais cedo do que você pensa - disse Sam - mas agora, sejamos justos. Eu contarei a todos aqueles que subirem e forem para a cama um grande segredo. Mas vocês não vão sair sussurrando e assustando as crianças. Mantenham este em suas cabeças até amanhã.
Um silêncio mortal de expectativa caiu sobre todas as crianças: elas olharam para Sam como as crianças hobbit de outros tempos haviam olhado para o mago Gandalf.
- O Rei está vindo aqui - disse Sam solenemente.
- Vindo para Bolsão? - gritaram as crianças.
- Não - disse Sam - mas ele está vindo para o norte. Ele não entrará no Condado porque deu ordens de que ninguém do Povo Grande deve entrar nesta terra novamente depois daqueles Rufiões; e ele mesmo não virá justamente para mostrar que falava sério. Mas ele virá até à Ponte e - Sam sussurrou - ele emitiu pessoalmente um convite muito especial para cada um de vocês. Sim, pelo nome!
Sam levantou-se e caminhou em direção a uma gaveta próxima, dela tirou um rolo de papel grande e largo. Era todo preto e escrito em letras que pareciam de prata.
- Quando isso chegou, papai? - perguntou Merry.
- Veio com o correio da Quarta Sul há três dias atrás - disse Elanor - eu tinha visto. Estava embrulhado em seda e lacrado com selos grandes.
- Bastante certo, meus olhos luminosos - disse Sam - agora olhe. Está escrito em Élfico e na língua comum, e diz: "Elessar Aragorn, Filho de Arathorn, o Rei Pedra Élfica de Gondor e Senhor das Terras do Oeste se aproximará da Ponte do Baranduin no primeiro dia da Primavera, ou no vigésimo quinto dia de março próximo da contagem do Condado, e deseja saudar a todos os seus amigos. Em especial ele deseja ver Mestre Samwise, Prefeito do Condado, e Rosa sua esposa, e Elanor, Rosa, Cachinhos Dourados e Margarida suas filhas, e Frodo, Merry, e Pippin e Hamfast seus filhos". Lá estão vocês, há todos os seus nomes.
- Mas eles não são os mesmos em ambas as listas - disse Elanor que podia ler.

J.R.R. Tolkien certa vez escreveu sombriamente: “Temo que não seja nada agradável ser uma figura cultuada ainda em vida”. Sua popularidade ainda tem seus desagradáveis efeitos colaterais. O entusiasmo peculiar de muitos de seus fãs, a existência de brochuras escabrosas no gênero fantasia, a adaptação cinematográfica ter um sabor meio frívolo

As lendas da Terra-média compreende muitas centenas de milhares de anos repletos de histórias fascinantes. Graças a essas sagas e a seus cronistas descobrimos os encantadores contos de Beren e Lúthien, de Eärendil, o Marinheiro e Bilbo e Frodo Bolseiro. Mas quem nos presenteou com essas histórias e lendas?

