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24 Junho 2002
Enquanto este muito notável trabalho é fixado em um tempo mais recente na história dos Dias Antigos do que é sugerido, deveria ser dado aqui um informe devido a sua associação, em data e conteúdo, com os escritos e revisões da Segunda Fase da História póstuma do Senhor dos Anéis e do Silmarillion.
A situação textual, até o ponto que a narrativa atual do debate está relacionada é simples. Existe um manuscrito bem similar em estilo e aparência àquele das Leis e Costumes entre os Eldar, e como este claro e fluente, embora haja algumas páginas de rascunhos de leitura difícil, com indicações claras de que outros existiram. Também há duas cópias datilografadas a partir do manuscrito, consideradas independentemente do manuscrito depois que toda edição tivesse sido feita a este.
O manuscrito, por outro lado, leva o título ‘Da Morte e dos Filhos de Eru e da Desfiguração dos Homens’ (com outro título ou sub-título adicionado depois, O Diálogo de Finrod e Andreth) e duas páginas de texto introdutório que precedem a sentença com a qual as cópias datilografadas iniciam. Esta introdução à 'Conversa' era de fato a continuação de uma composição que meu pai removeu e deixou colocada em separado. Esta seção introdutória foi datilografada subseqüentemente com uma cópia em papel-carbono, na máquina de escrever nova, e anexada ao início das cópias do material datilografado do manuscrito, esta não tem nenhum título ou cabeçalho.
Os Eldar aprenderam que, de acordo com o conhecimento dos Edain, os homens acreditavam que os seus hröar (corpos físicos) não eram pela própria natureza de vida-curta, mas tinham se tornado assim pela malícia de Melkor. Não estava claro para os Eldar se os Homens queriam dizer: pela desfiguração geral de Arda (a qual eles mesmos consideraram ser a causa da decadência dos seus próprios hröar); ou por alguma malícia especial contra os Homens enquanto foram alcançados nas idades escuras antes dos Edain e dos Eldar se encontrassem em Beleriand; ou por ambos.
Mas para os Eldar pareceu que, se a mortalidade dos Homens tivesse vindo por uma malícia especial, a natureza dos Homens tinha sido modificada de forma atroz do primeiro desígnio de Eru; e esta era uma questão de admiração e medo para eles, pois, se realmente fosse assim, então o poder de Melkor deve ser (ou foi no princípio) muito maior do que até mesmo os Eldar haviam compreendido; considerando que a natureza original dos Homens deve ter sido estranha de fato e distinta daquela de quaisquer outros dos que habitam em Arda. Relacionado a estas coisas, está registrado no antigo conhecimento dos Eldar que uma vez Finrod Felagund e Andreth a Mulher-Sábia conversaram há muito tempo em Beleriand. Este conto, que os Eldar chamam Athrabeth Finrod e Andreth, é concedido aqui em uma das formas que foram preservadas.
O Diálogo de Finrod e Andreth
Sobre a Morte dos Filhos de Eru e a Desfiguração dos Homens
Finrod (filho de Finarfin, filho de Finwë) era o mais sábio dos Noldor exilados, sendo mais preocupado do que todos os outros com questões de pensamento (em lugar de fabricação ou com habilidade das mãos); e ele estava, além disso, ansioso para descobrir tudo aquilo que ele pudesse relacionado ao Gênero Humano. Foi ele quem primeiro encontrou os Homens em Beleriand e os ajudou; e por esta razão freqüentemente era chamado pelos Eldar de Edennil, 'Amigo dos Homens'. Seu amor principal era dado ao povo de Bëor, o Velho, porque foram estes que havia encontrado primeiro nas florestas de Beleriand Oriental. Andreth era uma mulher da Casa de Bëor, a irmã de Bregor pai de Barahir (cujo filho era Beren Erchamion, o renomado). Ela era sábia em raciocínio e instruída no conhecimento dos Homens e as suas histórias; por qual razão os Eldar a chamaram Saelind; sábio-coração.
Entre os Sábios alguns eram mulheres, e elas eram grandemente estimadas entre os Homens, especialmente por seu conhecimento das lendas dos dias antigos. Outra mulher-sábia era Adanel, irmã de Hador Lórindol (em certa época, Senhor do Povo de Marach) cujos conhecimentos e tradições, e também cuja língua, eram diferentes dos do Povo de Bëor. Mas Adanel era casada com um parente de Andreth, Belemir da Casa de Bëor: ele era avô de Emeldir, mãe de Beren. Em sua juventude Andreth habitara por longo tempo na casa de Belemir, e assim aprendera de Adanel muito da tradição do Povo de Marach, além da tradição de seu próprio povo.
Nos dias da paz antes que Melkor quebrasse o Cerco de Angband, Finrod visitava freqüentemente Andreth, a quem ele amava com grande amizade porque a considerou mais preparada para comunicar seu conhecimento para ele do que era a maioria dos Sábios entre os Homens. Uma sombra parecia estar sobre eles, e havia uma escuridão por trás dos homens da qual eram contrários a falar até mesmo entre si. E estavam em temor dos Eldar e não iriam facilmente revelar-lhes o seu pensamento ou as suas lendas. De fato os Sábios entre os Homens (que eram poucos) em sua maior parte mantiveram o seu segredo de sabedoria e só passaram este para aqueles a quem eles escolheram.
Aconteceu que em um momento de primavera Finrod foi por um tempo hóspede na casa de Belemir; e ele se pôs a conversar com Andreth, a Mulher-Sábia, a respeito dos Homens e dos seus destinos. Pois naquele tempo Boron, Senhor do povo de Bëor, havia morrido recentemente, logo depois do Yule, e Finrod estava pesaroso.
- Triste para mim, Andreth - ele disse - é a passagem rápida de seu povo. Pois agora Boron, o pai de seu pai se foi; e embora ele fosse velho, digamos, como a idade avança entre os Homens, ainda eu o tinha conhecido muito brevemente. De fato para mim parece que faz pouco tempo da primeira vez que eu vi Bëor no leste desta terra, contudo agora ele se foi, e seus filhos, e o filho do seu filho também.
- Faz mais de cem anos agora - disse Andreth - desde que nós atravessamos as Montanhas; e Bëor, Baran e Boron, cada um viveu além do seu nonagésimo ano. Nossa passagem era mais rápida antes que nós encontrássemos esta terra.
- Então você está feliz aqui?
- Feliz? - perguntou Andreth - nenhum coração mortal está feliz. Toda passagem e morte são um pesar para este; mas se o definhar for menos breve então isso é alguma melhora, uma pequena imitação da Sombra.
- O que você quer dizer com isso?
- Seguramente você sabe bem! - disse Andreth - a escuridão está agora limitada ao Norte, mas uma vez ela aqui viveu. – dizendo isso os olhos de Andreth escureceram, como se a sua mente tivesse regressado para os anos negros que estavam melhor esquecidos - Uma vez a sombra existiu em toda a Terra-média, enquanto vós moráveis em vossa glória.
- Não foi relacionado à Sombra que eu perguntei. - disse Finrod - O que você quer dizer, eu diria, pela imitação disto? Ou como o destino rápido dos Homens se relaciona com isto? Vós também, nós consideramos (sendo instruídos pelos Grandes que sabem), sois Filhos de Eru, e vosso destino e natureza são provenientes dEle.
- Eu vejo - disse Andreth - que neste assunto vós dos Altos-elfos não diferem dos seus parentes inferiores a quem nós encontramos no mundo, embora eles nunca tenham morado na Luz. Todos vós julgais que nós morremos rapidamente pela nossa verdadeira espécie. Que nós somos frágeis e breves, e vós sois fortes e duradouros. Nós podemos ser "os Filhos de Eru" como dizeis em vossa tradição; mas nós também somos filhos para vocês: para sermos amados um pouco talvez, e ainda criaturas de menor valor, sobre quem vós podeis olhar para baixo da altura do seu poder e seu conhecimento, com um sorriso ou com piedade, ou com um menear de cabeças.
- Ah, você fala próximo da verdade - disse Finrod - pelo menos de muitos do meu povo; mas não de todos, e certamente não de mim. Mas considere isto bem, Andreth, quando nós os chamamos "Filhos de Eru" não falamos indolentemente; pois o nome dEle não articulamos nunca em gracejo ou sem um forte intento. Quando falamos assim falamos a partir de conhecimento, não de mera tradição Élfica; e proclamamos que vós sois nossa família em um parentesco muito mais íntimo (ambos hröa e fëa) do que aquele que une todas as outras criaturas de Arda, e nós mesmos a elas. Outras criaturas também na Terra-média nós amamos em sua medida e espécie: as bestas e pássaros que são nossos amigos, as árvores, e até mesmo as flores belas que passam mais rapidamente que os Homens. A passagem delas nós lamentamos; mas acreditamos que seja uma parte da sua natureza, tanto quanto o são suas formas ou os seus matizes.
- Mas para vocês - suspiro Finrod - que são nossos parentes mais próximos, nosso pesar é muito maior. E contudo, se considerarmos a brevidade da vida em toda a Terra-média, não devemos acreditar que a sua brevidade também seja parte de sua natureza? O seu próprio povo não acredita nisso também? E ainda de suas palavras e da amargura delas eu acho que você pensa que nós estamos errados.
- Eu penso que você erra e todos que pensam igualmente - disse Andreth - e que esse próprio erro vem da Sombra. Mas para falar dos Homens, alguns dirão isto e alguns aquilo; mas a maioria, pensando um pouco, sempre considerará que o que está no seu período curto de tempo no mundo sempre foi assim e permanecerá assim para sempre, quer gostem disto ou não. Mas há alguns que pensam o contrário; os homens os chamam de "sábios", mas lhes dão pouca atenção. Porque eles não falam com segurança ou com uma única voz, não tendo nenhum conhecimento seguro tal como vós ostentais, mas forçosamente dependendo de conhecimento, do qual a verdade (se esta puder ser encontrada) deve ser separada. E em toda a separação há joio com o trigo que é escolhido, e indubitavelmente um pouco de trigo com o joio que é rejeitado.
- Contudo, entre meu povo - continuou Andreth - de Sábios para Sábios originários da escuridão vem a voz dizendo que os Homens não são agora como eram, nem como a verdadeira natureza deles era em seu começo. E mais claro ainda é isto dito pelos Sábios do Povo de Marach, que preservaram em memória um nome para Ele que vós chamais de Eru, embora em meu povo Ele fosse quase esquecido. Assim eu sou informada de Adanel. Eles dizem claramente que os Homens não são por natureza de vida-curta, mas se tornaram assim pela malícia do Senhor do Escuro quem não nomeiam.


O tema de fundo do Senhor dos Anéis é o desejo de Poder exercitado através do domínio, o desejo devastador em nível tanto individual como social. Antes de tudo, o poder ofende e corrói a mente. Quem é vítima dele pesa cada coisa com extremo cuidado sobre a balança de sua própria maldade. Um modo de agir típico de mentes calculistas e um tanto paranóicas.

Um episódio muito importante do mito com relação a Gandalf é a sua confrontação com o Balrog na escuridão das minas de Moria. É muito interessante perceber que o seu medo e recusa na escolha do caminho de viagem pelas minas representa o medo da psique inteira ao se encontrar com dificuldades.
