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08 Março 2010
Logo de início podemos observar que, Denethor é alguém identificado com seu posto, o regente de Gondor. Denethor não se coloca como o administrador e responsável pelo cumprimento das leis em Gondor, ele diz ser a própria lei.
O Senhor de Gondor é um sujeito identificado com a persona de regente. A identificação com a persona traz grandes prejuízos ao desenvolvimento da personalidade. O sujeito identificado com a persona tem um grande obstáculo pela frente caso venha desejar atingir a meta do processo de individuação, o obstáculo de interagir e de se relacionar com o mundo apenas através desta persona. No caso do Regente, ele se vê como o regente em todos os aspectos de sua vida, fator este que veio a ser o responsável por fazer com que o mesmo viesse a exercer um papel de pai questionável no relacionamento com seus dois filhos.
Denethor exerceu papel de Regente com os seus filhos Boromir e Faramir, não há uma relação fraternal e amorosa do pai com os filhos. Há uma relação de poder entre o Regente e seus filhos, que são vistos como subordinados da Lei de Gondor, e não como filhos de Denethor. Esta é a definição do conceito de persona:
Persona: Designa originalmente, no teatro antigo, a máscara usada pelos atores. A persona é o sistema de adaptação ou a maneira por que se dá a comunicação com o mundo. Cada estado ou cada profissão, por exemplo, possui sua persona característica. O perigo está, no entanto, na identificação com a persona; o professor com seu manual, o tenor com sua voz. Pode-se dizer, sem exagero, que a persona é aquilo que não é verdadeiramente, mas o que nós mesmos e os outros pensam que somos. (2)
Minas Tirith estava sendo arrasada pelos exércitos de Sauron, a ajuda de Rohan estava demorando a chegar e o poder de Denethor começava a desmoronar. Denethor estava perdendo o controle das coisas, estava perdendo seu poder e ainda que a guerra pela Terra-média não existisse, ele teria de entregar a lei de Gondor ao rei, que estava por vir. Se desprender de seu cargo e entregar a autoridade de Gondor ao herdeiro de Isildur, era algo contra Denethor resistia. A forma como o regente compreendeu que poderia manter seu posto, sem ter de entregá-lo a Aragorn, foi morrendo ainda no posto com a lei de Gondor sob sua responsabilidade e autoridade. Aqui, fica clara a onipotência e arrogância de Denethor, para ele é preferível morrer a deixar de ter poder. É preferível morrer “no topo” vítima de seu apego ao poder, do que viver de maneira simples e equilibrada.
- Mas eu te digo, Gandalf Mithrandir, não serei teu brinquedo! Sou um Regente da Casa de Anárion. Não vou me rebaixar para ser o camareiro caduco de um arrivista. Mesmo que a reivindicação dele se mostrasse autêntica, ainda assim ele apenas pertence à linhagem de Isildur. Não me curvaria diante desse sujeito, o ultimo representante de uma casa destruída, há muito tempo desprovida de realeza e dignidade.- Então, o que escolheria você – disse Gandalf - se seu desejo pudesse ser realizado?- Eu escolheria as coisas como elas sempre foram em todos os dias de minha vida – respondeu Denethor – e nos dias de meus antepassados que me precederam: ser o Senhor desta Cidade em paz, e deixar meu lugar para um filho depois de mim, um filho que fosse dono da própria vontade, e não o pupilo de um mago. Mas, se o destino me nega isso, então não quero nada: nem a vida diminuída, nem o amor pela metade, nem a honra abalada.- A mim não pareceria que um Regente que com fidelidade entrega seu cargo fica diminuído em amor ou em honra – disse Gandalf – E pelo menos você não privaria seu filho do poder de escolha, enquanto ainda há dúvidas sobre sua morte. (6)
Neste diálogo de Denethor com Gandalf, podemos notar que a maior motivação para o Regente de Gondor decidir pelo suicídio se deve ao fato de ter de entregar o poder a Aragorn, herdeiro por direito do trono. Outra característica de alguém identificado com o complexo de poder é a paranóia e o constante sentimento de ameaça em que vive este sujeito. Nota-se também a falsa idéia de ser o portador de uma onisciência divina, uma vez que Denethor diz ter lido a mente de Gandalf. Sendo o poder o único fator a ter espaço e importância na vida do Regente, acaba-se por perder o equilíbrio psicológico, o bom senso, o amor, a cordialidade e o respeito por si mesmo e pelas outras pessoas. Pois, o contato com a totalidade da personalidade foi perdido e assim desta maneira, vive-se uma unilateralidade, arbitrária e centralizadora.
A consciência e o discernimento de Denethor se encontram de tal forma prejudicados, que faz com o mesmo chegue a se achar no direito de decidir sobre a vida ou morte de Faramir. Pois uma vez que Denethor vive sua vida para ser o regente, nada mais passa a ter sentido ou significado o bastante, que o motive a viver. O triste fim do Senhor de Gondor, nos remete ao mito de Ícaro, mito este que nos conta sobre o perigo que existe quando o excesso, o desejo pelo poder e a unilateralidade se tornam mais importante do que outras coisas na vida de alguém, podendo levar o portador deste desejo a trágicas conseqüências. Os textos abaixo nos contam sobre o mito:
Filho de Dédalo e de uma escava, Ícaro morreu vítima das invenções do pai, que ele utilizou sem fazer caso das advertências paternas. Eu te previno, Ícaro, tens de fixar teu curso numa altura média. Aprisionado no labirinto, com seu pai que ajudara Ariana e Teseu a matar Minotauro, ele consegue evadir-se com o auxílio de Parsífae e graças ás asas que Dédalo lhe fez e que ele fixou com cera sobre os ombros. Ícaro voou por cima do mar. E desprezando todos os conselhos de prudência, elevou-se cada vez mais alto, cada vez mais perto do Sol. A cera derrete e ele se precipita no mar.
Imagem das ambições desmesuradas do espírito, Ícaro é o símbolo do intelecto que se tornou insensato... da imaginação pervertida. É uma personificação mítica da deformação do psiquismo caracterizada pela exaltação sentimental e vaidosa. Ícaro representa o emotivo e a sorte que o espera. A tentativa insana de Ícaro é proverbial pela emotividade no mais alto grau, por uma forma de aberração do espírito: a mania das grandezas, a megalomania (DIES, 50). Ícaro é o símbolo do excesso e da temeridade, a dupla perversão do juízo e da coragem. (7)
“A Queda de Ícaro” - quadro de Jacob Peter Gowy, feito entre 1636-1637Tendo engenhosamente fabricado para si e para o filho dois pares de asas de penas, presas aos ombros com cera, voou pelo vasto céu, em companhia de Ícaro, a quem recomendara que não voasse muito alto, porque o sol derreteria a cera, nem muito baixo, porque a umidade tornaria as penas assaz pesadas. O menino, no entanto, não resistindo ao impulso de se aproximar do céu, subiu demasiadamente. Ao chegar perto do sol, a cera fundiu-se, destacaram-se as penas e ele caiu no mar Egeu, que daí por diante, passou a chamar de Ícaro. (8) Apesar da admoestação paterna, para que guardasse um meio termo, “o centro” entre as ondas do mar e os raios do sol, o menino insensato ultrapassou o métron, foi além de si mesmo e se destruiu. Ícaro é o símbolo da temeridade, da volúpia das alturas; em síntese: a personificação da megalomania. (9)
Como se pode observar nestes textos, o mito de Ícaro traz algumas semelhanças com a relação de Denethor com o poder e com Gandalf. Denethor se porta da mesma forma como o menino alado, não dando atenção aos conselhos que viriam a se tornar apelos posteriormente vindos da parte de Gandalf. No mito de Ícaro, Dédalo é um pai preocupado com a segurança e o futuro do filho, da mesma forma Gandalf pensa a respeito de Denethor.
Os vínculos de J.R.R. Tolkien com a cidade de Warwick estão bem documentados, mas não são amplamente conhecidos, ainda assim, as presenças histórica e física de Warwick foram importantes em sua imaginação criativa durante toda sua vida. Essa dissertação mapeia a influência significante de Warwick.

Beleriand estava entre as terras mais belas e mais antigas de toda Arda. Ela não estava localizada nas Terras Imortais de Aman, mas sim a leste do mar, pois Beleriand era uma parte da Terra-média mortal. Ela estava situada ao norte deste grande continente e a leste das Montanhas Azuis. Os grandes reinos dos Sindar estavam neste continente.

As terras de Rhún e Harad, ao Leste e Sul da Terra-média, não ficavam apenas geograficamente fora da vista Ocidental. Estas regiões nunca haviam sido do interesse dos Elfos cujas histórias tratavam principalmente de si mesmos, nem do interesse dos Númenorianos que não avançaram no interior.


