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31 Março 2010
O título deste artigo é uma homenagem ao célebre livro Eram os Deuses Astronautas de Erich Von Daniken, cujo maior legado foi ter nos rendido a criação dos Eternos na Marvel.
O tema da religiosidade dos elfos Tolkienianos e outros povos “fiéis” da Terra-média é sempre muito contencioso e cheio de confusões criadas pelo fato de que, assim como acontece com temas como o Livre Arbítrio x Predestinação e Arda Redonda x Arda Plana, a melhor resposta para essa pergunta em Tolkien é ao mesmo tempo um ambíguo “sim e não” élfico. Afinal de contas os elfos eram politeístas, monoteístas ou o quê? Eles adoravam os Valar ou não? Em primeiro lugar, é preciso frisar que Tolkien deixou bem claro que, sendo Arda o planeta Terra em uma era remota da antiguidade antes da história registrada, que Eru Ilúvatar, o Criador é o deus judaico-cristão como ele mesmo admitiu em uma entrevista de 1971.

Arcanjo Miguel, o análogo de Manwë Súlimo
Gerrolt: Há uma característica outonal ao longo do todo de O Senhor dos Anéis, em um caso um personagem diz que: “a história continua, mas eu pareço ter perdido o rumo dela”. Porém, tudo está enfraquecendo, empalidecendo, pelo menos em direção ao fim da Terceira Era. Toda escolha tende à violação de alguma tradição. Agora isso me parece ser um pouco como a citação de Tenysson: “a velha ordem muda, dá lugar a uma nova, e Deus se realiza de muitas maneiras”. Onde está Deus em O Senhor dos Anéis? Tolkien: Ele é mencionado uma vez ou duas. Gerrolt: Ele é o Único? Tolkien: O Único… sim. Gerrolt: Você é de fato um teísta? Tolkien: Oh, eu sou um católico romano! Um devoto católico romano.
Então, os Elfos Noldor, tendo recebido o conhecimento sobre Eru por intermédio direto dos Valar e de outros indivíduos que tiveram contato com eles, como acontecia com as diversas divisões dos “elfos” que não foram para Aman, veneravam Eru Ilúvatar e eram monoteístas ainda que na Terra-média isso nunca tivesse se manifestado como um culto organizado.
153 Para Peter Hastings (rascunho)
Porém, não havia templo algum em Númenor (até Sauron introduzir o culto de Morgoth). O topo da Montanha, o Meneltarma ou Pilar do Céu, era dedicado a Eru, o Único, e lá, a qualquer hora privadamente, e em certas ocasiões publicamente, Deus era invocado, louvado e adorado: uma imitação dos Valar e da Montanha de Aman.
Carta 153 de Tolkien Para Peter Hastings (rascunho)
A respeito de “a autoridade de quem decide essas coisas?”. As “autoridades” imediatas são os Valar (os Poderes ou Autoridades): os “deuses”. Mas são apenas espíritos criados — de elevada ordem angelical, diríamos, com seus anjos menores servidores — respeitáveis, portanto, mas não veneráveis*; e apesar de potentemente “subcriativos” e residentes na Terra a qual estão ligados por amor, tendo auxiliado em sua criação e em sua ordenação, não podem, por vontade própria, alterar qualquer disposição fundamental.(...) * Assim, não há templos, “igrejas” ou santuários neste “mundo” entre povos “bons”. Possuem pouca ou nenhuma “religião” no sentido de culto. Por ajuda podem recorrer a um Vala (como Elbereth), como um católico recorreria a um Santo, embora sem dúvida sabendo, assim como ele, que o poder do Vala era limitado e derivativo.
“... os Valar eram, ao mesmo tempo, nunca ou sempre “deuses pagãos” dependendo de como nós definimos isto. Desde as primeiras versões da história até as últimas eles foram consistentemente criações de Ilúvatar (portanto NÃO ERAM deuses pagãos) mas também, por vezes venerados como deuses em si mesmos pelos desinformados (daí “deuses pagãos“ em um certo sentido). É errado dizer que essa situação mudou ...”
Como acontecia com outros dos Valar, ele era um compósito de diversas entidades tutelares do mar, em várias mitologias, combinadas com um santo católico. Além das já bem conhecidas, Poseidon, Netuno e o Nyord escandinavo uma influência bem proeminente era o irlandês/galês, Manannan Mac Lir.
Paulo Eduardo Lages
31 de outubro de 2009
Notas Explicativas
- No cristianismo Dulia (do grego ???????, “douleuo” que significa “honrar”) é um termo teológico que significa a honra o e culto de veneração devotados aos santos. A veneração especial devotada a Maria chama-se hiperdulia (???????????). É praticado pelas Igrejas Católica, Ortodoxa e alguns grupos da Igreja Anglicana.
- Do grego (???????, “latreuo” que significa “adorar”) a latria é um termo teológico utilizado pelas Igrejas Católica e Ortodoxa que significa o culto de adoração devida e dada somente a Deus, ou seja, à Santíssima Trindade.
- Hiperdulia (do grego ???????????) é um termo teológico utilizado pelas Igrejas Católica e Ortodoxa que significa a honra e o culto de veneração especial devotados a Nossa Senhora.

A narrativa da Queda de Gondolin é, sem dúvida nenhuma, um dos mais antigos textos da Mitologia Tolkieniana. Não sei exatamente quantos, mas acredito que a forma original deste texto foi desenvolvida por Tolkien à mais de 40 anos atrás, quando ainda se reunia aos Inklings e lecionava na faculdade de Oxford.

O tema de fundo do Senhor dos Anéis é o desejo de Poder exercitado através do domínio, o desejo devastador em nível tanto individual como social. Antes de tudo, o poder ofende e corrói a mente. Quem é vítima dele pesa cada coisa com extremo cuidado sobre a balança de sua própria maldade. Um modo de agir típico de mentes calculistas e um tanto paranóicas.

Um episódio muito importante do mito com relação a Gandalf é a sua confrontação com o Balrog na escuridão das minas de Moria. É muito interessante perceber que o seu medo e recusa na escolha do caminho de viagem pelas minas representa o medo da psique inteira ao se encontrar com dificuldades.
