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21 Abril 2010
Os Tuatha dé Danann, assim como os elfos Noldor de Tolkien, eram detentores de grande poder mágico. Eram imortais, mas podiam morrer por desgosto ou ferimento físico superior ao seu dom de regeneração.
Tinham uma pátria paradisíaca além do Oceano Ocidental (chamada de País do Verão, Tir na Nog ou também Hy Brazil) exatamente igual à Aman. Podiam reencarnar do mesmo modo que os elfos de Tolkien o faziam no começo do Legendárium. Viviam “entre dois mundos” como o Glorfindel depois de reencarnado e trazido de volta a Terra-média. Chegaram à terra da Irlanda e enfrentaram ou entraram em acordo com seres aparentados com eles próprios que tinham características monstruosas ou “menos luminosas” chamados Firbolg, paralelos aos elfos cinzentos e os Fomoire, paralelos aos orcs. Vale ressaltar que o nome dos Fomoire (submarinos) lembra na fonética e no significado um nome das famílias dos elfos Teleri: Falmari; que significa “elfos das ondas”.

por sua feitiçaria ou pelo incendio de seus barcos
Os Tuatha tinham como base de operações do seu Grande Rei, mesmo título dado ao Rei Supremo dos Noldor que governava os outros reis menores, um monte chamado Tara, lembrando o nome da habitação original de Turgon, o monte Taras em Vinyamar. Um dos Tuatha, de nome Nuada, que significa “Mão de Prata” (por acaso o mesmo significado do nome Celebrimbor) perdeu uma mão na guerra com os Firbolg e abdicou do trono em favor de Bres, o formoso, assim como Maedhros perdeu uma mão e abdicou da soberania dos Noldor em prol de seu tio, Fingolfin. Também os Tuatha dé Danann queimaram os seus barcos quando chegaram na Irlanda, assim como os Noldor queimaram os deles, apenas por um motivo diferenciado da mesquinharia de Fëanor... mas a traição e o medo de deserção também eram a explicação.
E essa lista não exaure as similaridades, tem muito mais de onde elas vieram e só agora estão sendo devidamente estudadas mesmo em inglês. Então, existe sim MUITA similaridade entre os Noldor e os Tuatha dé Danann, por mais que Tolkien declamasse em verso e prosa sua aversão pela mitologia céltica e a língua da Irlanda. Alguns dos Tuatha dé Danann foram inspiração para outros personagens do Legendárium alem dos próprios elfos, inclusive alguns dos Valar como Oromë e Ulmo e aspectos de Yavanna, Vana, e Tilion, alem de Tom Bombadil e Goldberry.
Existem é claro os “indecisos”, são uma explicação popular nos manuscritos medievais para explicar o povo das fadas. Como acontecia com outras religiões, os seres místicos “pagãos” eram associados com os anjos caídos, mas o texto medieval que popularizou essa noção dos “elfos” sendo neutros na guerra do Céu e por isso terem caído, teve sua fonte principal no Navigatio Sancti Brendani Abbatis (The Voyage of Saint Brendan the Abbot) do século 9. Tolkien inclusive, fez um poema, Imram, baseado nesse texto, incluído no HoME IX. Tanto a viagem de São Brandão e seus antecessores célticos não cristãos como a viagem de Maeldun, são a base para a história de Eärendil.
Essa é a tal conversa que São Brandão teve com um dos espíritos sob a forma de um pássaro no “Paraíso dos Pássaros” (qualquer semelhança com Elwing e sua forma de gaivota e depois sua forma alada em Valinor podem não ser apenas coincidência) onde o espírito falou dos motivos da queda da sua estirpe, o fato de terem ficado “em cima do muro”.
Como acontecia com outros dos Valar, ele era um compósito de diversas entidades tutelares do mar, em várias mitologias, combinadas com um santo católico. Além das já bem conhecidas, Poseidon, Netuno e o Nyord escandinavo uma influência bem proeminente era o irlandês/galês, Manannan Mac Lir.
Segundo uma lenda popular na Escandinávia medieval. A idéia dos elfos “malignos” pode ter a ver com a supressão do paganismo pela cristandade. Segundo essa lenda, quando Lúcifer se rebelou contra Deus, muitos anjos se uniram à rebelião e muitos outros ficaram do lado divino, mas houve um grupo que ficou “em cima do muro”. Nem se aliaram ao Diabo, nem lutaram contra ele. Os anjos rebeldes foram lançados no inferno, mas os anjos “indecisos” foram condenados apenas a abandonar o Céu e a viver na Terra. Segundo a lenda, esses anjos são os ancestrais das fadas - às vezes identificadas com os elfos da luz - dos anões e dos demais espíritos e gênios.
Trata-se, sim, de uma lenda medieval popular, só que essa história não é escandinava, é gaélica e irlandesa em sua origem. Essa preocupação de situar os elfos na hierarquia cristã dos seres criados por Deus era típica da Escócia e da Irlanda em seus textos medievais e essa tensão se comunicou aos ingleses depois que eles anexaram os dois estados à Grã-Bretanha.
Então um dos pássaros voou da árvore, e em seu vôo suas asas tinham um som como o tilintar de guizos, até o barco onde o homem de Deus estava sentado, e, pousando na proa abriu suas asas em esplendor, e olhou complacentemente para St. Brendan. Então o homem de Deus, atingido pela compreensão de que sua oração foi atendida, dirigiu-se ao pássaro:
- Se você é um mensageiro de Deus, me diga de onde esses pássaros vêm e por que estão aqui?
E o pássaro respondeu:
- Nós somos parte da grande ruína do antigo inimigo, não pelo pecado de seu desejo, mas após a nossa criação nossa ruína resultou na queda de Lúcifer e seus seguidores. O Deus Todo-Poderoso que é justo e verdadeiro condenou-nos a este lugar, onde não sofremos nenhuma dor e onde podemos parcialmente sentir a presença divina, mas também onde estamos para sempre longe dos espíritos que permaneceram fiéis. Vagamos pelo mundo, no ar, na terra e no céu, como os outros espíritos em suas missões. Mas em dias de festa tomamos as formas que você vê, e cantamos os louvores de nosso Criador.
Paulo Eduardo Lages
5 de março de 2010
Magia é difícil de definir. Externamente aos trabalhos literários de J.R.R. Tolkien nós não a tomamos seriamente, mas ao contrário a relegamos para as regiões do mito, superstição e sobrenatural. No mundo de Tolkien o que ele chama de magia é real e natural, e nós devemos compreender a natureza de seu mundo.
Em grande parte os detalhes biográficos citados neste trabalho foram baseados ou extraídos inteiramente de informações contidas na biografia oficial do professor Tolkien, escrita por Humphrey Carpenter, editada e publicada no Brasil pela livraria Martins Fontes. Esse material é criação original da BBC inglesa e traduzido no Brasil.

A criação do Um Anel remonta aos anos seguintes a queda de Morgoth. Durante essa época, Sauron estabeleceu seu desejo de dominar e submeter os Elfos, e de fato todos os povos da Terra-média, a seu completo controle. Ele acreditava que Valar haviam, afinal, abandonado a Terra-média após a queda de Morgoth.


