A tradução de um best-seller pode ser um ponto marcante no currículo. Ao mesmo tempo, pode ser motivo de dor de cabeça e um fardo a ser carregado. A professora da USP Lenita Rímoli Esteves, uma das tradutoras da versão brasileira da trilogia O Senhor dos Anéis, lançada em 1994, falou sobre a complexidade do universo das obras de Tolkien foi a maior dificuldade encontrada pela equipe. Lenita traduziu o texto em prosa e Almiro Pisetta, os textos em poesia, amparados por Ronald Kyrmse, especialista nos idiomas ficcionais de Tolkien. 

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Professora Lenita Rímoli Esteves

 
A sempre polêmica tradução de nomes de personagens e de lugares foi feita de acordo com as regras estabelecidas pelo próprio autor. A tradução dos três volumes, concluída em um ano e dois meses, não ficou livre, porém, das críticas. E não foram poucas, vindas principalmente de quem conheceu a obra na língua inglesa.

– Geralmente, as pessoas simpatizam mais com a versão que experimentam primeiro. Por isso acho que quem leu o livro no idioma original foi quem mais criticou e estranhou a adaptação dos nomes ao português, que, de acordo com Tolkien, é necessária, justificou Lenita.

Um site de fãs foi um pouco mais longe: criou um fórum, a "força-tarefa de revisão", onde os fanáticos pela história procuraram erros e omissões do texto original, para exigir o lançamento de uma revisão. Lenita rebateu as críticas dizendo ser impossível uma tradução perfeita, especialmente em livros ricos em detalhes, como esses.

Elogiada por uns e criticada por outros, a tradução de Lenita e Almiro foi utilizada nos filmes lançados pela Warner. Porém, sem o reconhecimento dos direitos autorais. Eles entraram na justiça, a Warner reconheceu o erro, e foi feito um acordo de concessão de direito de utilização dos nomes e termos traduzidos. Os tradutores também compraram briga com a editora Martins Fontes, que pagou somente ao contratá-los, em 1990, sem dar mais nada após a conclusão do trabalho ou após o sucesso nas vendas. O processo está em andamento.

– Nomes e poesias são os pilares da argumentação do livro. É reconhecido como obra artística; é criação; portanto passível de direitos autorais, acentua Lenita.

A participação dos tradutores nos lucros obtidos não é uma prática comum no Brasil, são poucas as editoras que o fazem. Lenita acredita que um resultado positivo do processo movido contra a Martins Fontes pode colocar os profissionais da área numa posição mais favorável para negociar com as editoras.

Comentarios (5)

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Ela fez um bom trabalho dentro dos limtes imposto pela nossa lingua...smilies/grin.gif
Vicente , julho 12, 2010
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A "Força Tarefa de Revisão" se dedicou mais à encontrar supressões do texto original, e foram várias, inclusive de parágrafos inteiros! Com certeza uma tradução nunca pode ser "perfeita" (as versões do Alcorão, livro sagrado dos muçulmanos, em outro idioma que não seja a líongua árabe são consideradas pelo próprios muçulmanos como apenas interpretações, e não traduções), mas suprimir detalhes da obra original pode ser considerada uma afronta, e sobre isso a tradutora não se pronuncia, correto???
Vinícius , julho 14, 2010
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se ela foi a escolhida é porque é a mais apta para desempenhar a função, o que acontece é que existe um bando de desocupados metido a intelectual que leram a versão em inglês e por isso crtiticam a tradução da moça, e se ficou tão ruim assim porque a Warner usou a tradução feita por ela e pelo Almiro ?
jefferson oliveira , julho 16, 2010
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Eu ainda quero ver a explicação sobre suprimir parágrafos...

Pq a Warner usou a tradução deles? Pq era a tradução oficial brasileira, só isso! Na França e na Espanha, nas legendas e tb nas dublagens, usaram a versão oficial dos repectivos países nos DVDs, creditando os tradutores (no menu de opções de audio/legendas).

Eu ainda quero ver a explicação sobre suprimir parágrafos...
Vinícius , julho 20, 2010
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Vinicius, acho que a supressão de parágrafos não deve ter sido intencional, mas um acidente de trabalho de tradução e revisão.
As edições originais contém erros (a cada edição acontecia um...), tanto que a edição de 50º aniversário é vendida como um 'reboot', uma apresentação dos textos com a menor quantidade de erros de todas em comparação aos textos originais de Tolkien.
Paulo , julho 24, 2010

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