A Era da escuridão

O Exílio dos Noldor e a Guerra das Jóias

Enquanto as Eras se aproximavam da hora estabelecida por Ilúvatar para o despertar dos elfos, a Terra-média jazia numa penumbra sob a fraca luz das estrelas que Varda havia criado nos tempos remotos da sua labuta. E nas trevas habitava Melkor, ele ainda saía com freqüência e sob muitos disfarces de poder e terror, brandindo o frio e o fogo dos cumes das montanhas às fornalhas profundas que se encontram sob elas.

No norte porém Melkor aumentava suas forças e não dormia, mas vigiava e trabalhava. Os seres nefastos que ele havia pervertido andavam à solta e os bosques escuros e sonolentos eram assombrados por monstros e formas pavorosas. Em Utumno ele reuniu seus demônios, aqueles espíritos que primeiro lhe haviam sido leais nos seus dias de esplendor e se tornado mais parecidos com ele em sua depravação. Seus corações eram de fogo mas eles se ocultavam nas trevas, e o terror ia à sua frente com seus açoites de chamas. Balrogs foram eles chamados na Terra-média em tempos mais recentes. Naquela época sombria Melkor gerou muitos outros monstros de variados tipos e formas que por muito tempo atormentaram o mundo. E seu reino cada vez mais se espalhava na direção do sul através da devastada Terra-média.

Em Utumno o Senhor do Escuro reuniu um grande exército. Todas as criaturas distorcidas e maléficas dos mundo atenderam ao seu chamado, seu número era grande e crescia cada vez mais, pois Melkor nunca parava de criar novas e mais terríveis criaturas. As lendas dos elfos contam que todas as serpentes do mundo foram criadas em Utumno, seu reino escuro era o lar de Lobisomens e Vampiros, insetos que se alimentavam de sangue e de todas as criaturas que rastejam e deslizam pela terra. Utumno era comandada pelos mais poderosos servos de Melkor, os espíritos Maiar de fogo chamados por todos de Balrogs. O maior dentre todos era o Alto Capitão de Utumno, Gothmog o Balrog.

E Melkor construiu também uma fortaleza e arsenal não muito distante do litoral noroeste para resistir a qualquer ataque que viesse de Aman. Essa cidadela era comandada por Sauron, lugar-tenente de Melkor; e seu nome era Angband. As Eras da Escuridão foram os anos de glória de Melkor, por seu ato de destruição das Lâmpadas o Senhor do Escuro herdou por completo a mutilada Terra-média, pois os Valar desistiram de lhe fazer a guerra e cansados de luta partiam para o oeste… e Terra-média em ruínas e escura se manteve sob seu domínio durante dez mil anos mortais.

Da beleza e bem-aventurança de Valinor os Valar raramente atravessavam as montanhas para chegar à Terra-média, mas dedicavam à terra por trás das Pelóri carinho e amor. E no meio do Reino Abençoado estava a morada de Aulë, lá ele muito trabalhou pois na criação de todas as coisas naquela terra teve o papel principal, e lá realizou muitas obras bonitas e bem-feitas, tanto abertamente quanto em segredo. Dele vêm as tradições e os conhecimentos da Terra e de tudo o que ela contém – tanto as tradições dos que nada fazem mas buscam o entendimento do que seja quanto as tradições de todos os artífices: o tecelão, aquele que dá forma à madeira, aquele que trabalha os metais; aquele que cultiva e também lavra, embora estes últimos e todos os que lidam com o que cresce e dá frutos devam recorrer também à esposa de Aulë, Yavanna Kementári.

Aulë que é chamado de Amigo-dos-noldor, pois com ele estes elfos aprenderam muito nos tempo que viriam; e os noldor são os mais habilidosos de todas as três famílias élficas. A seu próprio modo de acordo com os dons que Ilúvatar lhes concedeu, eles muito acrescentaram aos seus ensinamentos apreciando línguas e textos, figuras bordadas, desenho e entalhe. Foram também os noldor os primeiros a aprender a criar pedras preciosas; sendo as mais belas de todas as gemas as Silmarils que estão perdidas.

E naquela época de trevas Yavanna também não quis abandonar totalmente as Terra-média pois tudo o que cresce lhe é caro, e ela chorava pelas obras que havia começado e Melkor destruíra. Assim deixando a morada de Aulë e os prados floridos de Valinor ela às vezes vinha curar os ferimentos causados por Melkor; e ao voltar costumava instigar os Valar para a guerra contra seu domínio nefasto que sem dúvida precisariam travar antes da chegada dos elfos.

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