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Os Elfos: As Crianças de Ilúvatar

No mesmo instante em que Varda, a Senhora dos Céus, reacendeu as estrelas luminosas sobre a Terra-média, as Crianças de Eru despertaram no lago de Cuiviénen. Estas crianças eram os quendi que foram chamados de Elfos, e quando eles despertaram para a vida a primeira coisa que perceberam foi a luz das Estrelas.

Assim é que de todas as coisas os Elfos amam mais a luz das estrelas, e adoram Varda acima de todos os valar, a quem eles conhecem como Elentári, Rainha das Estrelas. Mais adiante quando essa luz entrou nos olhos dos Elfos naquele momento de despertar, ela foi retida lá de forma que desde então nunca mais saiu de seus olhos. Diz-se que os olhos dos Elfos contém a luz das estrelas. Assim Eru, o Único, a quem os Elfos conhecem como Ilúvatar, criou a mais bela raça que já existiu. Ilúvatar declarou que os Elfos teriam e fariam mais beleza que qualquer criatura terrestre, e a eles serão destinadas as maiores felicidades e tristezas.

Os Elfos seriam imortais e imutáveis de forma que viveriam para sempre, contanto que a terra vivesse. Eles nunca saberiam o que era a doença e pestilência, mas seus corpos estariam como a terra em substância e poderiam ser destruídos. Eles poderiam ser mortos com fogo ou poderiam ser mortos na guerra, poderiam ser assassinados e até mesmo morrer de grande aflição. O seu tamanho seria igual ao dos Homens que ainda estavam para despertar, mas os Elfos seriam mais fortes em espírito e em corpo e não ficariam fracos com idade, apenas mais sábios e justos.

Embora distantes em estatura e poder em relação aos valar, os Elfos compartilham a natureza de seu poder muito mais de que os Homens, seu cabelo é como ouro trançado ou tecido, prata forjada ou polida, e luz de estrelas brilha em toda parte em seus olhos, usam roupas sedosas e mãos enfeitadas com jóias. O som de suas vozes sempre é claro e nobre, mas ao mesmo tempo sutil como a água, e de todas suas artes eles se superam em fala, canção e poesia. Os Elfos foram os primeiros seres a falar com vozes e nenhuma criatura terrestre antes deles cantou. E justamente eles se chamam os quendi, os “oradores” porque eles ensinaram as artes faladas a todas as raças de Arda.

Na primeira Era da Luz das Estrelas, depois da queda de Utumno e a derrota de Melkor, o Inimigo Escuro, os valar chamaram os Elfos para as Terras Eternas do Oeste. Isto ocorreu antes da criação do sol e da lua quando só as estrelas iluminaram a Terra-média. Os valar desejaram proteger os Elfos da escuridão e do mal existente na Terra-média. Eles também desejaram ter a companhia deste povo e queriam que eles vivessem na luz perpétua das árvores sagradas dos valar em Valinor.

E assim, nas terras eternas que existem além dos mares do oeste prepararam os valar um lugar chamado Eldamar, onde foi predito que os Elfos construiriam cidades com cúpulas de prata, ruas de ouro, e degraus de cristal. A terra seria abundante e generosa, e os Elfos estariam felizes e ricos. As costas de Eldamar seriam cheias de cristais pálidos que eles trabalhariam para a alegria simples de fazer objetos de magia e beleza.

E assim, nas terras eternas que existem além dos mares do oeste prepararam os valar um lugar chamado Eldamar, onde foi predito que os Elfos construiriam cidades com cúpulas de prata, ruas de ouro, e degraus de cristal. A terra seria abundante e generosa, e os Elfos estariam felizes e ricos. As costas de Eldamar seriam cheias de cristais pálidos que eles trabalhariam para a alegria simples de fazer objetos de magia e beleza.

Em deste modo os Elfos foram divididos, pois nem todos desejavam deixar a Terra-média e entrar na nas Terras Imortais. O chamamento dos valar levou um grande número deles em direção ao oeste, e estes se chamaram os Eldar, ou “O Povo das Estrelas”, mas outros ficaram por amor a Terra-média e foram chamados os Avari, “Os Relutantes”. Entretanto eles estavam habituados as estrelas e a natureza, e como sua família era imortal, o tempo não contava. Esses povos permaneceram principalmente nas terras orientais, onde o poder de Melkor era maior, e reduziram em poder e espírito.

Os Eldar também eram conhecidos como “o povo da grande viajem” porque tinham viajado por muitos anos da Terra-média para o Grande Mar. Destes Elfos havia três famílias, regidas por três reis. Os primeiros foram os Vanyar, e Ingwë era seu rei; os segundos foram os Noldor, com Finwë como seu senhor; e os terceiros foram os Teleri que eram governados por Elwë Singollo. Os Vanyar e Noldor alcançaram as costas do Belegaer, o mar do Oeste pouco antes dos Teleri, e Ulmo, o Senhor da Águas, veio a eles e os trouxe a uma ilha que era como uma vasto navio. Ele levou as duas tribos acima do mar para as terras eternas, para Eldamar, o lugar que os valar haviam preparado.

O destino do Teleri era diferente, eles se separaram em várias tribos, e porque os Teleri eram os mais numerosos de todas as famílias, a passagem deles era muito mais lenta. Muitos retrocederam da viagem, e entre estes estavam os Nandor, os Laiquendi, os Sindar, e os Falathrim. Elwë o Alto rei Élfico permaneceu na Terra-média, porém a maioria do Teleri foi adiante, tendo Olwë, o irmão de Elwë como seu rei, e chegaram ao grande mar. Lá eles esperaram Ulmo que afinal os levou a Eldamar.

Assim foi que a maioria do Eldar entrou para as Terras Eternas nos dias de luz, quando as arvores dos valar iluminaram todas as terras. Naquela luz foram enobrecidos os Elfos e cresceram sábios e poderosos além do que era possível imaginar. Os seus tutores eram os valar e os maiar, de quem aprenderam grandes habilidades e conhecimentos que ate hoje não foram novamente revelados.

Em Eldamar construíram os Vanyar e Noldor uma grande cidade chamada Tirion na colina de Túna, enquanto nas costas os Teleri construíram o Porto dos Cisnes, que em seu idioma era chamado Alqualondë. Estas cidades dos Elfos eram as mais belas de toda Arda, e as comparar em beleza era como comparar a árvore de prata de Telperion ao ouro da árvore de Laurelin. Durante aquele tempo chamado “A Paz de Arda” com o encarceramento de Melkor, os Eldar cresceram em corpo e espírito. Eles criaram muitas coisas de grande habilidade e beleza que nunca foram ultrapassadas desde o Morrer da Luz, e nunca serão descobertas novamente.

Na Terra-média os Sindar (chamados de Elfos cinzentos), pelo ensino de Melian a Maia, cresceram mais poderoso que todos os outros Elfos das Terras Mortais. Um reino encantado com grande poder foi feito nos bosques de Doriath e era o maior reino de todo os Eldar que não viram as árvores dos valar. Com ajuda dos anões das Montanhas Azuis, os Sindar construíram Menegroth, uma cidadela poderosa… foi chamada Cidade das Mil Cavernas, por que era isso, uma cidade escavada sob a montanha na forma de uma floresta enfeitada com lanternas douradas. Por suas galerias poderiam ser ouvidos cantos de pássaros e a risada da água cristalina que fluía em fontes prateadas. Nenhuma mansão mais bela foi construída por qualquer raça na Terra-média.

Estas eram as grandes cidades dos Eldar, ambas na Terra-média e nas Terras Eternas eram maravilhas a serem vistas. Porém este tempo de paz estava predestinado ao fim com a libertação de Melkor, todos acreditaram que Melkor estava arrependido das maldades cometidas, e ele tinha dado muita ajuda e sabedoria ao valar e para o povo Eldar, mas também havia secretamente instilado a discórdia em seus espíritos.

Porém os Eldar ainda cresceram em poder, e foi durante este tempo que Fëanor subiu entre o Noldor e fez um trabalho que é considerado a maior das criações dos Elfos em Arda. O gênio de Fëanor forjou os Silmarils, três jóias em forma de diamantes que brilham com uma chama viva, como a luz das Árvores dos valar. Neste momento as mentiras que Melkor tinha esparramado deram frutos, e houve discussão e guerra. Com a grande aranha, Ungoliant, Melkor veio e matou com uma enorme lança negra as árvores da luz. Ungoliant bebeu a seiva que escorria das árvores e cresceu monstruosamente. Durante a noite longa que se seguiu, Melkor roubou os Silmarils assassinando o Alto Rei dos Noldor e com Ungoliant fugiu pelo Helcaraxë voltando a Terra-média e as cavernas escuras de Angband. Fëanor jurou vingança e contra o conselho dos valar reuniu os Noldor e foi para a Terra-média. Fazendo isto eles se tornaram pessoas amaldiçoadas, porque roubaram os navios Cisne dos Teleri de Alqualondë e mataram muitos de seus os irmãos, Este foi o primeiro combate entre Elfos.

Com os navios dos Teleri os Noldor de Fëanor cruzaram o Belegaer, o Grande Mar. Mas nem todos foram nos navios, pois era um povo numeroso. Muitos Noldor foram traídos por Fëanor que partiu secretamente com os barcos levando neles tantos seguidores quanto pode, os que foram abandonados não puderam retornar, e então conduzidos por Fingolfin em um ato de grande coragem cruzaram o Helcaraxë, a ponte de gelo, a pé. Como conta o “Quenta Silmarillion” assim começou a Guerra das Jóias que causaram a queda do Noldor e dos Sindar nas terras de Beleriand. Os Noldor procuraram Melkor, a quem deram o nome de Morgoth e lhe fizeram guerra durante toda a primeira era do sol, foram 500 anos de guerra.

A guerra foi amarga e terrível, dos Eldar que estavam na Terra-média, poucos sobreviveram a aquela luta. Entretanto grandes ações eram feitas, e reinos poderosos subiram e caíram. Finalmente os valar e muitos Eldar nas Terras Eternas vieram, e na Guerra da Ira, Morgoth foi esmagado para sempre. Mas naquela guerra Beleriand foi destruída e coberta pelas ondas do mar, os grandes reinos daquele lugar desapareceram para sempre, como as cidades de Menegroth, Nargothrond e Gondolin. Só uma pequena parte de Ossiriand, que foi chamada Lindon sobreviveu ao dilúvio. Lá o último reino dos Eldar permaneceu no princípio da Segunda Era do Sol. A maioria dos Eldar que sobreviveu a Guerra da Ira voltou ao Oeste com os navios dos Teleri, e a Tol Eressëa na Baía de Eldamar. Lá eles construíram os Portos de Avallónë, inclusive uma torre que enviou luz em cima dos Mares Sombrios. Enquanto isso a raça dos Homens que tinham lutado com os Eldar contra Morgoth foram para uma ilha chamada Númenórë no centro de Belegaer, o Grande Mar.

Alguns dos que eram grandes entre os Noldor e Sindar tinham permanecido na Terra-média, um deles era Gil-galad, o último dos Altos Reis dos Eldar ns terras mortais. Seu reinado foi durante a Segunda Era do Sol, e o reino de Lindon sobreviveu até a Quarta Era. Havia paz pelos anos da Segunda Era, os Elfos prosperavam novamente e vagaram no Leste. Alguns Noldor e senhores de Sindar uniram os Elfos nômades e construíram três grandes reinos. Thranduil fez Greenwood o Grande o Reino na Floresta das Trevas; Celeborn e Galadriel regeram Lothlórien, a Floresta Dourada, a maior das colônias Eldarin era Eregion, que os Homens chamavam Hollin, para onde muitos dos grande Noldor foram. Alguns foram chamados Gwaith-i-Mírdan, mas depois foram chamados de Ferreiros Elfos. E foi entre estas pessoas que Sauron o maia, o maior servo de Morgoth entrou disfarçado. Celebrimbor, o maior Ferreiro Elfo da Terra-média e neto de Fëanor viveu em Hollin. Com os ensinamentos de Sauron e a habilidade dos Ferreiros Élficos foram forjados os Anéis de Poder, e por causa deles e do Um Anel que Sauron forjou secretamente muitas guerras ocorreram, tanto naqueles tempos como em outros futuros.

As batalhas das Guerra de Sauron eram terríveis. Celebrimbor pereceu e as terras dele foram arruinadas, Gil-galad enviou Elrond e muitos guerreiros de Lindon para ajudar as pessoas de Eregion. Os Elfos que sobreviveram à destruição de Eregion fugiram para Imladris (que na Terceira Era foi chamada Rivendell) e se esconderam do terror, levaram como seu senhor Elrond o meio-elfo. Mas entretanto os Elfos não eram fortes o bastante para quebrar o poder de Sauron enquanto ele estivesse em posse do Um Anel. Os aliados Númenóreanos haviam crescido poderosos no Oeste, e até em relação aos Elfos seu poder era grande. Os Númenóreanos entraram em seus navios e partiram para Lindon, e para o assombro do Mundo capturaram Sauron que foi levado acorrentado para suas terras.

Até mesmo na derrota Sauron era esperto, e com astúcia alcançou o que desejava. O “Akallabêth” conta como os Númenóreanos foram enganados por Sauron e o destino terrível que tiveram. As terras de Númenórë foram tragadas pelo mar de Belegaer, e todos menos uns poucos escolhidos desapareceram para sempre. A Mudança do Mundo também aconteceu, e naquele momento as Terras Eternas de Valinor e Eldamar foram afastadas dos Círculos do Mundo. Terras mortais e terras imortais foram separadas para sempre se inalcançáveis exceto pelos navios élficos que viajavam pelo que era chamado de “a estrada direta”.

Mas na segunda era do sol ainda existia Sauron, o Senhor dos Anéis. Ele havia escapado a queda de Númenor e voltado ao reino de Mordor. Então a última Aliança de Elfos e Homens foi feita, e todos que eram grandes entre os Elfos e o númenóreanos fizeram guerra contra o Senhor dos Anéis. Eles destruíram a torre de Barad-dûr, e levaram o Um Anel. Suas criaturas ou pereceram ou entraram nas sombras, mas Gil-galad, o último Alto Rei Élfico na Terra-média também foi morto, como foram quase todos os grandes senhores dos Numenorianos. E novamente havia paz por um tempo e muitos dos Eldar foram para Oeste pelos Portos Cinzentos.

Lentamente a raça dos Homens estava ganhando destaque. Na Terceira Era restava apenas uma sombra da presença dos Eldar. A Leste das Montanhas Azuis os Eldar regiam apenas as terras de Lothlórien, A Floresta Dourada, Imladris que foi chamada de Rivendell e o Reino do Bosque de Greenwood que foi chamado Mirkwood. Todos estavam escondidos e se mantinham fora do mundo cotidiano. As preocupações dos Elfos permaneciam em grande parte no Senhor dos Anéis que vivia mais uma vez em Mordor. Sauron enviava os Nazgûl, para procurar pelo anel. Então os descendentes dos numenorianos, e os povos livres da Terra-média lutaram mais uma vez no que foi chamada de “A Guerra do Anel”.

O Um Anel foi destruído, Mordor caiu novamente, e finalmente Sauron desapareceu para sempre com todos os seus servos mais poderosos.. com isso todas as suas criaturas perderam a força que as unia, que lhes fomentava o ódio contra os povos livres… e se dispersaram em desespero e medo.

Uma grande sombra do mal partiu, porém, o poder do Um Anel estava ligado ao poder dos Anéis Élficos nas Terras Mortais, e quando este foi destruído o poder dos Eldar também se foi. Todos os enclaves élficos que eram mantidos pelo poder dos Anéis perderam sua força. Rivendell e Lothlórien não podiam mais ser protegidos contra o passar do tempo… e o mundo estava se tornando cinzento e triste para os elfos. Um a um, os Elfos passaram a ir para as Terras Imortais deixando para sempre a Terra-média, então, o último dos Eldar velejou no último navio de Círdan dos Portos Cinzentos na Estrada Direta. E assim os povos das estrelas foram para sempre para além do alcance dos mortais.

Sobre os povos élficos:

Os Mestres da Tradição entre os Elfos dizem que, os três primeiros elfos não nasceram, mas sim despertaram de um longo sono as margens do lago Cuiviénen. Mas os primeiros Elfos (também chamados de Não-Nascidos, ou Nascidos de Eru) não acordaram todos ao mesmo tempo. Estes três pais elfos são chamados nos contos antigos Imin, Tata e Enel. Eles despertaram nessa ordem, mas com pouca diferença de tempo entre cada um; e a partir deles, dizem os Eldar, as palavras um, dois e três foram feitas: os mais antigos de todos os numerais.

Imin, Tata e Enel despertaram antes de suas esposas, e a primeira coisa que viram foram as estrelas, pois acordaram no crepúsculo anterior ao amanhecer. E a próxima coisa que viram foram suas esposas destinadas dormindo no gramado verde junto a eles. Eles então ficaram tão encantados com a beleza delas que seu desejo pela fala foi imediatamente acelerado e eles começaram a “pensar em palavras” para falar e cantar. E sendo impacientes, eles não podiam esperar, então acordaram suas esposas.

Assim, os eldar dizem, a primeira coisa que cada mulher elfo viu foi seu esposo, e seu amor por ele foi seu primeiro amor; e seu amor e admiração pelas maravilhas de Arda veio posteriormente. Com o tempo os Elfos Teleri separaram-se, pois eram os mais numerosos de todos. E dentro desta família surgiram outras. Os Nandor, os Sindar, os Laiquendi, os Falmari, todos são da casa dos Teleri, mas separados por gerações dos seus parentes.


Os elfos Avari:

A família dos Elfos chamada de Avari “os relutantes” recusou o chamado dos Valar, e nem ao menos iniciou a Grande Jornada em direção as Terras Imortais. Eles viveram por muitos anos em terras próximas ao lago Cuiviénen, e só deixaram aquelas terras devido a Guerra da Ira, que foi tão arrasadora a ponto de destruir muitas regiões próximas. O mar interno de Helcar (formado pela destruição de, Illuin, a Grande Lâmpada) foi devastado nesta guerra, sobrando dele apenas uma pequena porção que se tornou o mar de Rhun.

Alguns dos Avari haviam partido de Cuiviénen antes da Primeira Era do Sol procurando por novas terras, terras afastadas da sombra que lentamente se estendia sobre eles. Alguns dos Avari alcançaram o Reino de Beleriand, como foi dito no conto de Bëor, o Velho. De maneira geral os Avari eram os menos poderosos e menos sábios de todos os povos élficos, mas ainda eram Elfos, e isso significa bom povo. Estes Elfos que nunca haviam visto as Terras Imortais ou a Luz das Árvores ficaram espantados com a beleza e poder de Beleriand… e mais ainda com a raça dos Homens, os primeiros mortais a serem descobertos pelos povos élficos.

Os Avari sentiram-se bem com a hospitalidade dos Nandor que viviam nos vales do Anduin, Eriador e Ossiriand, mas poucos se instalaram lá em definitivo. Eles não partilhavam do mesmo afeto pelos Noldor de Aman que consideravam um povo altivo, porém arrogante… e se afastaram das terras dos regidas pelos Altos Elfos.

Os Avari permitiram a muitos filhos dos Homens que vivessem entre eles, e lhes ensinaram o que puderam. Isso foi motivado em parte por amor a esta raça que também era filha de Ilúvatar, mas também em parte por piedade a um povo fraco e de vida curta. Música, línguas, habilidades de caça e luta… todos conhecimentos úteis e preciosos na Terra-média que ia se tornando mais afetada pela sombra a cada dia. Ao final da Terceira Era do Sol, após o conflito conhecido como A Guerra do Anel, até mesmo os Avari tiveram que atender ao chamamento dos Valar e partir para sempre da Terra-média. Com isso o Domínio dos Homens se iniciou, e Terras Mortais perderam o mais antigo povo que lá habitava.

Os Avari tem a menor estatura entre os elfos. São os fisicamente mais robustos, embora mesmo assim sejam mais esbeltos que os homens. Sempre se vestem de cores encontradas na natureza, verde, marrom, cinza, devido ao caráter de camuflagem destas cores. Suas roupas raramente tem enfeites ou adornos sendo apenas funcionais… apesar do uso de técnicas muito sutis de tecelagem que são usadas na confecção de complexos desenhos no próprio tecido.

Os elfos Silvestres:

Muitos dos Mestres da Tradição entre os Elfos acreditam que os Elfos Silvestres são descendentes dos Nandor que chegaram a grande Floresta Verde pelo rio Anduin. Isso pode ser verdade, mas é conhecido que alguns Avari se instalaram em Beleriand, e com isso é bem possível que alguns deles também tenham se dirigido a Floresta das Trevas e lá habitado.

Originalmente, os Elfos Silvestres Vivian juntos, habitando em ambos os lados do rio Anduin, próximos a floresta de Lindorinand e da Floresta Verde sobre o Amon Lanc. Lá eles viveram durante todas as três Eras do Sol, e em tempos mais remotos devem ter existido até mesmo um próspero comércio com os anões de Khazad-dûm. Os Elfos Silvestres participaram que todas as grandes guerras da Segunda e Terceira Eras do Sol, Eles ajudaram os Elfos de Eregion na Guerra contra Sauron, e marcharam com Gil-galad na Guerra da Última Aliança. Elrond pediu a ajuda dos Elfos de Lórien nas Guerras contra Angmar, e Thranduil lutou pessoalmente na Batalha dos Cinco Exércitos.

Assim como aos Noldor e Sindar, os Elfos Silvestres receberam a permissão dos Valar e podiam partir da Terra-média para as Terras Imortais. O Porto de Edhellond perto da Baía de Belfalas pareçe ter sido sua principal rota de viajem durante Eras… mas isso diminuiu a ponto desta rota ser totalmente esquecida durante a Terceira Era do Sol. No ano de 1981, uma grande migração de Elfos Silvestres que partiram para Aman reduziu drasticamente a população de Lórien, e mesmo o reino de Thranduil foi afetado. Essa partida quase desenfreada de muitos Elfos infundiu no povo de Edhellond um desejo de fugir das Terras Mortais.

Após a morte de Amroth e o abandono das terras de Edhellond, alguns Elfos Silvestres ainda podiam ser vistos velejando em direção ao Oeste. O poema “O Navio Branco” fala de um grupo de Elfos que velejam descendo o Anduin. É dito que Legolas construiu um navio em Ithilien e velejou, junto com Gimli sobre o mar para Aman… ele era um dos últimos e mais poderosos entre os Elfos Silvestres de sua Era. Na Quarta Era do Sol os Elfos Silvestres de Lórien seguiram Celeborn pelo Anduin e estabeleceram o reino de Lórien Oriental.

O “Conto de Aragorn e Arwen” insinua que alguns Elfos permaneceram em Lórien, mas não havia o bastante do antigo povo para manter o reino, que ficou vazio e triste. Com o tempo Lórien Oriental foi abandonada, e mais adiante a própria Lórien estava vazia de seu povo. O Reino de Thranduil na Floresta Negra ainda perdurou por algum tempo, mas também acabou ao longo de poucas centenas de anos… a Quarta Era do Sol foi a última em que os Elfos Silvestres foram vistos pelos Homens.

Os elfos Sindar:

Também chamados de Elfos cinzentos, os Sindar foram o povo élfico mais poderoso da Terra-média. De certa forma, os Sindar eram o povo élfico original das Terras Mortais, eram descendentes diretos dos primeiros Elfos a despertar em Cuiviénen que nunca deixaram a Terra-média. Seu rei era Thingol, chamado de Manto Cinzento, e sua rainha era Melian, a Maia. Thingol e Melian foram os maiores regentes élficos dos dias antigos… maiores ainda que os Noldor em seu exílio.

A pedido de Thingol, os anões de Belegost construíram, dentro de uma montanha, o Palácio de Menegroth, das Mil Cavernas. Esta foi a maior e mais bela Mansão Élfica construída. Sob a tutela de Melian os Sindar se tornaram mestres em tecelagem, navegação, caça e pesca. Entretanto os Laiquendi se recusavam a cortar árvores ou madeira, ao passo que os Falathrim usaram madeira em seus navios ostensivamente. Foi Daeron de Doriath, um menestrel Sindar, que criou o primeiro sistema de escrita da Terra-média, ele chamou este sistema de Cirth. O tecido cinzento feito por este povo era quente, seco e confortável, além de ter assombrosas propriedades de camuflagem. Os Sindar também era grandes marinheiros, e entre muitos de seus portos o mais famoso é chamado de Mithlond, os Portos Cinzentos. Em seu auge a civilização dos Sindar era tão grande e próspera quanto à dos Elfos das Terras Imortais.

Depois da Primeira Era do Sol, os Sindar fizeram grandes migrações para leste, nestes tempos Eriador era largamente povoada por Elfos Sindar e Nandor, também havia Elfos Sindar em Eregion, entretanto a maioria dos que viviam lá eram Noldor. Após a Guerra dos Elfos de Eregion e Sauron, os Sindar parecem ter sido dispersados entre os Elfos Silvestres de Lórien e da Floresta Verde. Ao contrário dos Noldor, a história dos Sindar como um povo individual havia terminado com o fim da guerra.

A maioria dos Sindar velejou sobre o mar ao término da Primeira Era. Eles foram para a Ilha de Tol Eressëa no porto de Avallonë e lá habitam até os dias de hoje. Mas parecem não ter partido da história dos Homens. Os Eldar de Tol Eressëa velejaram a Númenor em muitas ocasiões enquanto trazendo presentes e conhecimento com eles, e eles agiram como os mensageiros de Manwë durante os reinados de Piche-Ciryatan e Piche-Atanamir. Cada vez mais os Sindar viajavam para as Terras Imortais. Após a Guerra dos Elfos de Eregion e Sauron, e especialmente após a Guerra da Última Aliança essa migração aumentou. Durante os últimos anos da Terceira Era do Sol era comum Elfos serem vistos pelos hobbits no caminho que levava a Mithlond. Acredita-se que a Terceira Era tenha sido a última deste povo na Terra-média.

Os Sindar são muito semelhantes fisicamente aos Elfos Silvestres, muito embora sejam levemente mais musculosos. Em sua maioria tem olhos azuis celeste ou acinzentados, os cabelos quase sempre também são cinzentos, embora cabelos negros também apareçam. como o nome de sua família sugere. Quase sempre os Sindar usam roupas de um cinza especial feito por eles, estas roupas eram assustadoramente eficientes como camuflagem.

Os elfos Noldor:

Os Noldor também eram chamados de Altos Elfos. Eles foram o único povo élfico da Terra-média que também havia habitado as Terras Imortais. Era um povo poderoso, corajoso, culto com o conhecimento dado pelos imortais, mas arrogante e pouco sábio. Os Noldor estabeleceram quatro reinos em Beleriand: Hithlum, Nevrast e Nargothrond. Hithlum e Nargothrond tiveram os maiores papéis nas Guerras contra Morgoth, mas ambas foram destruídas. Nevrast foi abandonada por ordem de Turgon que construiu um reino secreto no vale verdejante de Thunladen, esta cidadela chamou-se Gondolin… o último e mais poderoso Reino Élfico a cair nas guerras contra Morgoth.

A arte dos Noldor produziu as Tengwar, as Silmarils, as Palantiri, e as lanternas de cristal que os Eldar usavam em Terra-média. Também foram os Noldor que criaram os Anéis do Poder na tentativa de curar a terra das feridas de suas muitas guerras, mas nenhum destes grandes feitos foi o bastante para salvar este povo da desgraça.

Durante a Segunda Era do Sol Gil-galad assumiu o trono como último Alto Rei dos Noldor. Ele construiu três altas terras que vigiavam o oeste da Terra-média e lá habitou por algum tempo. Sob o standarte de Gil-galad reuniu-se o último grande exército élfico da Terra-média. Ele lutou no conflito conhecido como Guerra da Última Aliança, na qual Sauron, o Senhor Negro de Mordor foi derrotado pelos exércitos combinados de Elfos e Homens. Todavia o povo élfico estava encolhendo em número… o aparentemente poderoso exército dos Noldor correspondia a apenas uma pequena fração de seu poder na Primeira Era.

Após a queda de Gil-galad os Noldor continuaram vivendo em Lindon e Imladris, e alguns poucos ainda podem ter vivido em Lórien junto com Galadriel. Apenas alguns pequenos enclaves na Terra-média restavam de seu antigo poder. Ao final da Terceira Era do Sol, nem Círdan nem Elrond tinham condições de reunir um exército élfico, e a Guerra do Anel foi ganha quase exclusivamente por exércitos de Homens, comandados por Homens. Na Quarta Era do Sol alguns Noldor ainda permaneciam em Imladris, talvez alguns em Mithlond, mas eles enfraqueceram e diminuíram até se tornar uma lenda entre os Homens.

Os Noldor que ficaram em Aman continuaram a viver na cidade de Tirion, mas esta que antes era considerada a mais bela cidade de toda Arda passou a ser apenas uma sombra de seu próprio esplendor, pois mais de metade se seus habitantes partiu. Finarfin, irmão de Fingolfin, regeu os Noldor de Aman, que pediram perdão aos Valar e continuaram em suas graças. Mas dos Noldor que foram exilados a Terra-média, a grande maioria não nunca voltou a Tirion. Mesmo os poucos que velejaram sobre o mar só receberam permissão de ir até Tol Eressëa, e lá habitar.

Assim termina a história dos Noldor. Os que foram exilados receberam o perdão dos Valar ao final da Terceira Era do Sol, e pudera voltar e viver em Tol Eressëa. Os que ficaram em Aman ainda habitam a cidade de Tirion, a Bela, e lá permanecerão. Os Noldor são fisicamente muito resistentes, apesar de serem mais esguios que os homens, e tem a pele levemente mais bronzeada que os Vanyar. A aparência sempre é bela, muitas vezes solene, mas sempre suave e senhoril. Os Noldor geralmente tem cabelos negros ou marrom escuro, a cor dos olhos varia de acordo com a família qual pertencem, mas a combinação mais comum é marrom ou cinza.

Os elfos Falmari:

Os Falmari são um ramo da família Teleri, mas únicos desta família a concluir a Grande Viajem até as Terras Imortais. Os Falmari representam cerca de 1/3 de todos os Teleri que habitavam na Terra-média, e mesmo assim eram o ramo mais numeroso de seu povo.

Os primeiros Teleri que chegaram a Aman habitaram a ilha de Tol Eressëa por muitos anos, incapazes de cruzar o mar que os separava do continente. Devido a isso, Ossë foi enviado pelos Valar, ele ensinou aos Teleri a arte de construir navios, e eles velejaram para Eldamar e se estabeleceram em suas costas. Os elfos Noldor receberam com amizade os recém chegados Teleri, e os ajudaram a construir Alqualondë, o Porto dos Cisnes. Deste dia em diante os Teleri de Aman passaram a ser chamados de Falmari, Cavaleiros da Espuma.

Olwë, irmão de Elwë, era o Rei dos Falmari. Da família de Olwë só conhecemos o fato de ele ter tido mais de um filho, e pelo menos uma filha, Ëarwen que se casou com Finarfin, o filho mais jovem de Finwë. Os Falmari pouco tiveram a ver com Valinor ou com os Vanyar. Eles normalmente não compareciam aos banquetes oferecidos na cidade de Valimar ou nos declives de Taniquetil, preferindo passar seu tempo no mar ou pelas costas de Aman.

Os Navios Cisne dos Falmari foram roubados pelos Noldor, foi um ato impensado e de resultados sangrentos, pelo qual os Noldor muito iriam se lamentar. Esses navios eram a alma dos Falmari, suas madeiras foram cortadas e polidas num branco puro, as velas haviam sido tecidas por suas mulheres e brilhavam num cinza suave sobre o mar… eram insubstituíveis. Novos navios foram construídos logo depois de os Noldor deixarem Aman, mas a natureza destes navios não é descrita. Uma única referência para eles é citada no Akallabêth, ela sugere o aperfeiçoamento da arte da navegação… mas não se sabe se isso foi obra dos Falmari de Aman, os Teleri da Terra-média, ou dos Falathrim de Beleriand.

Durante a Guerra da Ira, os Falmari não lutaram contra as forças de Morgoth. Isso foi devido as mortes e ao roubo de seus navios pelos Noldor, mas eles consentiram em levar os Vanyar para a Terra-média, dando assim sua ajuda de forma indireta. Porém nem um deles pós os pés em terra, todos ficaram a bordo de seus navios.

Depois disto, pouco mais sobre os Falmari chegou ao conhecimento dos homens. Durante os dias de glória de Númenor alguns elfos usavam seus portos, mas acredita-se que esses elfos eram Teleri da Terra-média, e não Falmari. Quando Númenor foi destruída ao fim da Segunda Era do Sol eles já haviam sido quase esquecidos pelos homens. Todavia, Alqualondë com certeza sobreviveu a mudança do mundo, e os Falmari ainda devem habitar as costas de Aman, próximos ao mar que tanto amam.

Os elfos Vanyar:

Os Vanyar são a família élfica menos conhecida. Eles ajudaram a construir Tirion em Eldamar, na colina de Túna. Esta foi a mais bela cidade já construída, com muros de mármore e ruas calçadas com pedras douradas, torres altas e cúpulas de ouro e prata. A mais alta de todas as torres era chamada Mindon Eldaliéva, a Torre de Ingwë, e nela brilha uma lâmpada de prata vista a distância pelos navios que chegam. Na corte de Ingwë foi plantada uma muda de Telperion, A Grande, esta muda foi chamada Galathilion e ainda hoje floresce juntamente com os Eldar.

Os e foram os primeiros elfos a terminar a Grande Viajem e chegar as Terras Imortais, viveram sob a Luz das Árvores mais tempo que qualquer outro povo élfico, e apenas uma vez, só uma, deixaram as Terras Imortais para lutar contra Morgoth na Terra-média. Ao final desta guerra todos voltaram para Aman, nenhum deles ficou nas Terras Mortais. Nunca um Vanyar foi visto pelos homens mortais, tudo o que sabemos dele nos foi contado pelos elfos Noldor, exilados de Aman pelo Fratricídio de Alqualondë.

Em relação a nobreza de espírito e caráter, os Vanyar não tinham igual. Não eram grandes construtores, caçadores ou inventores… os dons especiais dos Vanyar parecem ser um conhecimento superior de poesia e música, mas eles também eram guerreiros valorosos que serviram na Guerra de Ira. Em Aman pediram a permissão dos Valar de habitavam as bordas de Taniquetil, eram o povo preferido de Manwë, o Rei Supremo de Arda, e parecem ter desfrutado de uma relação íntima com Oromë e Yavanna

Alguns dos Vanyar parecem ter sido exilados com os Noldor. Notavelmente, Elenwë a esposa de Turgon era uma Vanyar que pereceu na travessia do Helcaraxë. Glorfindel, o elfo que salvou muitos dos refugiados de Gondolin lutando contra um Balrog, também poderia ser sido um Vanyar… ou pelo menos ter alguma descendência deste povo. Ingwë era o Rei Supremo dos Vanyar, e também reconhecido como Rei de Todos os Elfos. É dito que ele tem se mantido em Taniquetil aos pés de Manwë, também é dito que seu filho, Ingwiel, conduzido o exército dos Vanyar na Guerra da Ira contra Morgoth, onde este povo marchou sob bandeiras brancas usando couraças de aço brilhante.

Os Vanyar são mais altos e de aparência mais nobre que os outros elfos. Seus cabelos são loiros dourados, olhos quase sempre azuis e pele clara. Uma aura de luz cerca seus corpos, sendo visível mesmo na luz do sol. Costumam usar vestes brancas e jóias, assim como prata e ouro, além de tiaras ricamente ornamentadas.

A Era da escuridão

O Exílio dos Noldor e a Guerra das Jóias

Enquanto as Eras se aproximavam da hora estabelecida por Ilúvatar para o despertar dos elfos, a Terra-média jazia numa penumbra sob a fraca luz das estrelas que Varda havia criado nos tempos remotos da sua labuta. E nas trevas habitava Melkor, ele ainda saía com freqüência e sob muitos disfarces de poder e terror, brandindo o frio e o fogo dos cumes das montanhas às fornalhas profundas que se encontram sob elas.

No norte porém Melkor aumentava suas forças e não dormia, mas vigiava e trabalhava. Os seres nefastos que ele havia pervertido andavam à solta e os bosques escuros e sonolentos eram assombrados por monstros e formas pavorosas. Em Utumno ele reuniu seus demônios, aqueles espíritos que primeiro lhe haviam sido leais nos seus dias de esplendor e se tornado mais parecidos com ele em sua depravação. Seus corações eram de fogo mas eles se ocultavam nas trevas, e o terror ia à sua frente com seus açoites de chamas. Balrogs foram eles chamados na Terra-média em tempos mais recentes. Naquela época sombria Melkor gerou muitos outros monstros de variados tipos e formas que por muito tempo atormentaram o mundo. E seu reino cada vez mais se espalhava na direção do sul através da devastada Terra-média.

Em Utumno o Senhor do Escuro reuniu um grande exército. Todas as criaturas distorcidas e maléficas dos mundo atenderam ao seu chamado, seu número era grande e crescia cada vez mais, pois Melkor nunca parava de criar novas e mais terríveis criaturas. As lendas dos elfos contam que todas as serpentes do mundo foram criadas em Utumno, seu reino escuro era o lar de Lobisomens e Vampiros, insetos que se alimentavam de sangue e de todas as criaturas que rastejam e deslizam pela terra. Utumno era comandada pelos mais poderosos servos de Melkor, os espíritos Maiar de fogo chamados por todos de Balrogs. O maior dentre todos era o Alto Capitão de Utumno, Gothmog o Balrog.

E Melkor construiu também uma fortaleza e arsenal não muito distante do litoral noroeste para resistir a qualquer ataque que viesse de Aman. Essa cidadela era comandada por Sauron, lugar-tenente de Melkor; e seu nome era Angband. As Eras da Escuridão foram os anos de glória de Melkor, por seu ato de destruição das Lâmpadas o Senhor do Escuro herdou por completo a mutilada Terra-média, pois os Valar desistiram de lhe fazer a guerra e cansados de luta partiam para o oeste… e Terra-média em ruínas e escura se manteve sob seu domínio durante dez mil anos mortais.

Da beleza e bem-aventurança de Valinor os Valar raramente atravessavam as montanhas para chegar à Terra-média, mas dedicavam à terra por trás das Pelóri carinho e amor. E no meio do Reino Abençoado estava a morada de Aulë, lá ele muito trabalhou pois na criação de todas as coisas naquela terra teve o papel principal, e lá realizou muitas obras bonitas e bem-feitas, tanto abertamente quanto em segredo. Dele vêm as tradições e os conhecimentos da Terra e de tudo o que ela contém – tanto as tradições dos que nada fazem mas buscam o entendimento do que seja quanto as tradições de todos os artífices: o tecelão, aquele que dá forma à madeira, aquele que trabalha os metais; aquele que cultiva e também lavra, embora estes últimos e todos os que lidam com o que cresce e dá frutos devam recorrer também à esposa de Aulë, Yavanna Kementári.

Aulë que é chamado de Amigo-dos-noldor, pois com ele estes elfos aprenderam muito nos tempo que viriam; e os noldor são os mais habilidosos de todas as três famílias élficas. A seu próprio modo de acordo com os dons que Ilúvatar lhes concedeu, eles muito acrescentaram aos seus ensinamentos apreciando línguas e textos, figuras bordadas, desenho e entalhe. Foram também os noldor os primeiros a aprender a criar pedras preciosas; sendo as mais belas de todas as gemas as Silmarils que estão perdidas.

E naquela época de trevas Yavanna também não quis abandonar totalmente as Terra-média pois tudo o que cresce lhe é caro, e ela chorava pelas obras que havia começado e Melkor destruíra. Assim deixando a morada de Aulë e os prados floridos de Valinor ela às vezes vinha curar os ferimentos causados por Melkor; e ao voltar costumava instigar os Valar para a guerra contra seu domínio nefasto que sem dúvida precisariam travar antes da chegada dos elfos.

A Era das Árvores

Ascensão e queda de Telperion e Laurelin

Por trás das muralhas das Pelóri os Valar estabeleceram seu domínio na região chamada Valinor; e ali ficavam suas casas seus jardins e suas torres. Nesse território seguro, os Valar acumularam enorme quantidade de luz e tudo de mais belo que fora salvo da destruição. E valinor foi abençoada, pois os Imortais ali moravam e nada desbotava nem murchava; não havia mácula alguma em flor ou folha naquela terra; nem nenhuma decomposição ou enfermidade em coisa alguma que fosse viva pois as próprias pedras e águas eram abençoadas.

E quando Valinor estava pronta e as mansões dos Valar instaladas, no meio da planície do outro lado das montanhas eles construíram sua cidade, Valmar de muitos sinos. Diante de seu portão ocidental, havia uma colina verdejante chamada Ezellohar, Yavanna a consagrou e ficou ali sentada muito tempo sobre a relva verde entoando uma canção de poder na qual expunha o que pensava sobre as coisas que crescem na terra. Nienna, porém, meditava calada e regava o solo com lágrimas. Naquele momento os Valar reunidos para ouvir o canto de Yavanna estavam sentados, em silêncio, em seus tronos do conselho no Máhanaxar, o Círculo da Lei junto aos portões dourados de Valmar; e Yavanna Kementári cantava diante deles, e eles observavam.

E enquanto olhavam viram surgir sobre a colina dois brotos esguios; e o silêncio envolveu todo o mundo naquela hora, não havia nenhum outro som senão o canto de Yavanna. Em obediência a seu canto as árvores jovens cresceram e ganharam beleza e altura; e vieram a florir; e assim, surgiram no mundo as Duas Árvores de Valinor. De tudo o que Yavanna criou ambas são as mais célebres, e em torno de seu destino são tecidas todas as histórias dos Dias Antigos.

Uma tinha folhas verde-escuras, que na parte de baixo eram como prata brilhante; e de cada uma de suas inúmeras flores caía sem cessar um orvalho de luz prateada; e a terra sob sua copa era manchada pelas sombras de suas folhas esvoaçantes. A outra apresentava folhas de um verde viçoso, como o da faia recém-aberta, orladas de um dourado cintilante. As flores balançavam nos galhos em cachos de um amarelo flamejante, cada um na forma de uma cornucópia brilhante, derramando no chão uma chuva dourada. E da flor daquela árvore, emanavam calor e uma luz esplêndida. Telperion, a primeira era chamada, mas Laurelin era a outra, e ambas eram irmãs.

Em sete horas a glória de cada árvore atingia a plenitude e voltava novamente ao nada; e cada uma despertava novamente para a vida uma hora antes de a outra deixar de brilhar. Assim em Valinor duas vezes ao dia havia uma hora suave de luz mais delicada, quando as duas árvores estavam fracas e seus raios prateados e dourados se fundiam. Telperion era a mais velha das árvores e chegou primeiro à sua plena estatura e florescimento; e naquela primeira hora em que brilhou com o bruxulear pálido de uma alvorada de prata os Valar não incluíram na história das horas, mas lhe chamaram de Hora Inaugural, e a partir dela passaram a contar o tempo de seu reinado em Valinor.

Portanto à sexta hora do Primeiro Dia, e de todos os dias jubilosos que se seguiram até o Ocaso de Valinor Telperion interrompia sua vez de florir; e na décima segunda hora era Laurelin que o fazia. E cada dia dos Valar em Aman continha doze horas e terminava com a segunda fusão das luzes na qual Laurelin empalidecia e Telperion se fortalecia. Contudo a luz que se derramava das árvores persistia muito antes de ser levada para as alturas pelos ares ou de afundar terra adentro. E das gotas de orvalho de Telperion e da chuva que caía de Laurelin, Varda armazenava em enormes tonéis como lagos brilhantes que eram para toda a terra dos Valar como poços de água e luz. Assim começaram os Dias de Bem-aventurança de Valinor; e assim começou a Contagem do Tempo.

Porém, enquanto as Eras se aproximavam da hora estabelecida por Ilúvatar para a chegada dos Primogênitos, a Terra-média jazia numa penumbra sob as estrelas que Varda havia criado nos tempos remotos da sua labuta em Eä. E nas trevas habitava Melkor, e ele ainda saía com freqüência sob muitos disfarces de poder e terror, brandindo o frio e o fogo dos cumes das montanhas às fornalhas profundas que se encontram sob elas; e tudo o que fosse cruel, violento ou fatal naqueles tempos é a ele atribuído.

Uma vez aconteceu de Oromë cavalgar mais para o leste em sua caçada e ele se voltou para o norteàs margens do Helcar, e passou à sombra das Orocami, as Montanhas do Leste. E então Nahar começou a relinchar muito e estancou, imóvel. E Oromë se perguntou o que seria e ficou calado. Pareceu-lhe ouvir ao longe no silêncio da terra sob as estrelas o canto de muitas vozes.

Foi assim que os Valar encontraram afinal, como que por acaso, aqueles que por quem há muito esperavam. E Oromë ao contemplar os elfos encheu-se de admiração, como se eles fossem seres inesperados, maravilhosos e imprevistos; pois assim sempre será com os Valar. De fora do Mundo, embora todas as coisas possam ser prenunciadas em música ou previstas em visões remotas, para aqueles que realmente entrem em Eä uma coisa de cada vez os apanhará desprevenidos como algo novo e inaudito.

No início os elfos eram mais fortes e imponentes do que se tornaram desde então; mas não eram mais belos; pois embora a beleza dos quendi nos dias de sua juventude superasse qualquer outra que Ilúvatar tenha feito surgir, ela não pereceu mas vive no oeste, e a tristeza e a sabedoria a enriqueceram. E Oromë amou os quendi e os chamou em sua própria língua de eldar, o povo das estrelas. Esse nome entretanto só foi usado por aqueles que o seguiram na estrada para o oeste. Foi assim que, quando Nahar relinchou e Oromë de fato surgiu entre eles alguns dos quendi se esconderam, e alguns fugiram e se perderam. Mas aqueles que tiveram coragem e permaneceram rapidamente perceberam que o Grande Cavaleiro não era nenhuma forma saída das trevas, pois a luz de Aman estava em seu semblante, e todos os mais nobres elfos se sentiam atraídos por ela.

Oromë demorou-se um pouco entre os quendi e então voltou veloz por terra e mar a Valinor trazendo as notícias a Valmar; e falou das sombras que perturbavam Cuiviénen. Alegraram-se então os Valar, e no entanto sentiam alguma dúvida em meio ao júbilo; e debateram muito qual seria a melhor decisão a tomar para proteger os quendi da sombra de Melkor. Oromë porém, voltou de imediato a Terra-média para morar com os elfos. Em pouco tempo os Valar decidiram ir a guerra contra Melkor, e a oeste dos poderes do oeste marchou para a guerra na Terra-média.

Melkor enfrentou a investida dos Valar no noroeste e toda a região sofreu grande destruição. Mas a primeira vitória dos exércitos do oeste foi rápida e os servos de Melkor fugiram perseguidos até Utumno. Então os Valar cruzaram a Terra-média e montaram guarda para vigiar Cuiviénen; daí em diante os quendi nada souberam da grande Batalha dos Poderes senão que a terra tremia e gemia sob seus pés e as águas mudavam de lugar; e ao norte havia clarões como os de enormes fogueiras. Longo e angustiante foi o cerco a Utumno e muitas batalhas foram travadas diante de seus portões, das quais nada chegou aos ouvidos dos elfos a não ser rumores.

Finalmente, porém, os portões de Utumno foram arrombados e seus salões destelhados; e Melkor foi refugiar-se em sua masmorra mais profunda. Tulkas apresentou-se então para defender os Valar. Lutou com ele e o lançou de rosto no chão. E Melkor foi acorrentado com Angainor, a corrente que Aulë havia feito, e levado prisioneiro… e o mundo teve paz por três longas eras.

Três Eras de encarceramento, este foi o julgamento dos Valar. E por três Eras Melkor foi mantido prisioneiro nos Salões de Mandos sem que Angainor fosse removida. Porém quando este tempo passou Melkor foi novamente recebido pelos Valar, e diante dos portões de Valmar Melkor humilhou-se aos pés de Manwë e suplicou seu perdão, jurando que se pudesse ser equiparado mesmo ao mais ínfimo dos seres livres de Valinor ajudaria os Valar em todas as suas obras e, principalmente na cura dos muitos danos que causara ao mundo.

Concedeu-lhe então Manwë o perdão; mas os Valar ainda não se dispunham a deixá-lo partir para fora do alcance de sua visão e de sua vigilância; e ele foi obrigado a permanecer dentro dos portões de Valmar. Entretanto eram aparentemente justos todos os atos e palavras de Melkor naquela época; e tanto os Valar quanto os eldar se beneficiavam de sua ajuda e de seus conselhos se os procurassem. Portanto dentro de pouco tempo ele recebeu permissão para andar livremente pelo território de Aman; mas em seu coração Melkor odiava acima de tudo os eldar, tanto por serem belos e alegres quanto por ver neles a razão para o ataque dos Valar e sua própria derrota. Por esse motivo mais ainda simulava amor por eles, procurando sua amizade e lhes oferecendo seu conhecimento e seus serviços em qualquer grande obra que quisessem empreender.

Ora… passado algum tempo Melkor foi a Avathar e assumiu novamente a forma que havia usado como tirano de Utumno: a de um Senhor cruel, alto e terrível. Nessa forma ele permaneceu eternamente. Ali, nas sombras negras fora do alcance até mesmo dos olhos de Manwë em seus altos palácios, Melkor tramou sua vingança aliando-se a Ungoliant… a aranha gigante do submundo.

Um manto de trevas ela teceu ao redor de ambos quando Melkor e ela avançaram: uma antiluz, na qual as coisas pareciam não mais existir e os olhos não conseguiam penetrar porque ela era vazia. E então lentamente ela começou a criar suas teias: corda a corda, de fenda em fenda, de rocha saliente até pináculo de pedra, sempre subindo, arrastando-se e se agarrando até afinal chegar ao próprio cume de Hyarmentir, a montanha mais alta naquela região do mundo, muito ao sul da enorme Taniquetil. Ali os Valar não vigiavam; pois a oeste das Pelóri havia uma terra vazia na penumbra e a leste as montanhas, à exceção da região esquecida de Avathar davam apenas para as águas turvas do mar inexplorado.

Agora porém no topo da montanha estava Ungoliant. Ela teceu uma escada de cordas trançadas e a jogou para baixo. E Melkor subiu por essa escada e chegou àquele lugar nas alturas, parou a seu lado e baixou o olhar até o Reino Protegido. Abaixo deles estavam os bosques de Oromë e a oeste tremeluziam os campos e as pastagens de Yavanna, dourados abaixo do alto trigo dos deuses. Melkor olhou para o norte e avistou ao longe a planície reluzente e os domos de prata de Valmar, cintilando à mescla de luzes de Telperion e Laurelin. Deu então uma forte risada e desceu veloz pelas longas encostas ocidentais. E Ungoliant estava a seu lado, e sua escuridão os encobria.

Naquele mesmo instante Melkor e Ungoliant atravessaram apressados os campos de Valinor como a sombra de uma nuvem negra ao sabor do vento que passa veloz sobre a terra ensolarada. Os dois chegaram à colina verde de Ezellohar, então a antiluz de Ungoliant subiu até as raízes das Árvores e Melkor de um salto escalou a colina. E com uma lança negra atingiu cada Árvore até o cerne ferindo ambas profundamente. A seiva jorrou como se fosse seu sangue e se derramou pelo chão, Ungoliant tudo sugou; e indo de uma Árvore a outra grudou seu bico negro nos ferimentos até que as esgotou. E o veneno da Morte que ela continha penetrou em seus tecidos e as fez murchar, na raiz, no galho, na folha… a as árvores morreram. Einda assim Ungoliant sentiu sede. Foi até os Poços de Varda e também os secou arrotando vapores negros enquanto bebia; e inchou tanto e de forma tão horrenda que Melkor sentiu medo.

Das alturas de Taniquetil Varda olhou para baixo e viu a Sombra que se erguia em súbitas torres de trevas. Valmar havia mergulhado num profundo mar noturno. Logo a Montanha Sagrada estava só, uma última ilha num mundo submerso. Toda a música cessou. Reinava o silêncio em Valinor e não se ouvia nenhum som além de algo que vinha de longe, com o vento atravessando a passagem nas montanhas: o lamento dos elfos como o grito frio de gaivotas. Pois o vento soprava gelado do leste naquela hora e as vastas sombras do mar rolavam contra as muralhas do litoral. Manwë, porém de seu trono elevado olhou ao longe; e somente seus olhos atravessaram a noite até que divisaram uma Escuridão mais do que escura, na qual não conseguiam penetrar imensa mas muito distante, movendo-se agora para o norte a grande velocidade. E ele soube que Melkor havia vindo e ido embora.

Teve início então a perseguição. E a terra tremeu com os cavalos da hoste de Oromë, e as faíscas acesas pelos cascos de Nahar foram a primeira luz que voltou a Valinor. Porém, assim que qualquer um deles alcançava a Nuvem de Ungoliant os cavaleiros dos Valar ficavam cegos e apavorados, e se dispersavam e não sabiam para onde estavam indo; e o som da Valaróma hesitava e se calava. Tulkas parecia alguém preso a uma teia negra à noite, e ele estava ali indefeso, debatendo-se em vão no ar. Mas quando a Escuridão passou era tarde demais. Melkor havia fugido para onde queria, e sua vingança estava consumada.

A era das Lâmpadas

Criação de Illuin e Ormal ilumina o Mundo

Diz-se entre os sábios que a Primeira Guerra começou antes que Arda estivesse totalmente formada, e antes mesmo que qualquer criatura crescesse ou caminhasse sobre a terra; e por muito tempo Melkor prevaleceu. Entretanto no meio da guerra ao ouvir no distante firmamento que havia batalha no Pequeno Reino, um espírito de enorme força e resistência veio em auxílio dos Valar; e Arda se encheu com o som de seu riso. Assim veio Tulkas, o Forte, cuja ira circula como um vento poderoso afastando a nuvem e a escuridão à sua frente.

E Melkor fugiu de sua fúria e de suas risadas abandonando Arda, e a paz reinou por uma longa era. E Tulkas permaneceu tornando-se um dos Valar do Reino de Arda; mas Melkor remoia pensamentos nas trevas distantes e dirigiu seu ódio a Tulkas para todo o sempre. Neste ponto Tolkien relata o surgimento de um período tranqüilo chamado As Eras das Lâmpadas. Isso ocorreu quando apesar das cicatrizes deixadas na primeira guerra dos poderes os Valar encheram o mundo de maravilhas naturais de grande beleza e harmonia. Essas Eras foram assim chamadas pela criação de duas colossais lâmpadas mágicas que iluminaram o mundo.

Naquele período os Valar trouxeram ordem aos mares, terras e montanhas, e Yavanna finalmente plantou as sementes que havia muito imaginara. E como houvesse necessidade de luz já que os fogos estavam dominados ou enterrados sob as colinas primitivas, Aulë a pedido de Yavanna criou duas Lâmpadas poderosas para iluminar a Terra-média, construídas por ele entre os mares circundantes. Então Varda encheu as Lâmpadas e Manwë as consagrou; e os Valar as puseram em cima de colunas altíssimas, mais elevadas do que qualquer das montanhas mais recentes. Ergueram uma lâmpada junto ao norte da Terra-média, e ela se chamou Illuin; e a outra foi erguida no sul, e foi chamada Ormal; e a luz das Lâmpadas dos Valar se derramou por toda a Terra iluminando tudo como se fosse sempre dia.

Então as sementes que Yavanna havia plantado logo começaram a brotar e a se desenvolver, e surgiu uma infinidade de seres em crescimento, grandes e pequenos, musgos, capins e enormes samambaias, e árvores cujas copas eram coroadas de nuvens como montanhas vivas, mas cujos pés ficavam envoltos numa penumbra verde. E surgiram feras que habitavam as pradarias, os rios e os lagos, ou caminhavam nas sombras dos bosques. Ainda não surgira nenhuma flor nem cantara pássaro algum, pois esses seres esperavam sua vez no ventre de Yavanna; mas havia abundância do que ela imaginara e nenhum lugar era mais rico do que as partes mais centrais da Terra onde a luz das duas Lâmpadas se encontrava e se fundia. E ali na Ilha de Almaren, no Grande Lago, foi a primeira morada dos Valar quando tudo era novo e o verde recém-criado ainda era uma maravilha aos olhos dos criadores. E eles se contentaram por muito tempo.

Este foi um período muito tranqüilo que também foi chamado de Primavera de Arda, quando Yavanna a Frutífera trouxe as grandes florestas e as vastas campinas e muitos animais e criaturas dóceis e belas para a terra e rios. A vida estava começando a surgir e os Valar viam com olhos de ver o mundo se tornar habitado e vivo… mas uma tristeza e ansiedade secreta estava latente em seus corações, pois as crianças de Eru ainda não haviam despertado.

Ora, veio a acontecer que enquanto os Valar repousavam da sua labuta e observavam o crescimento e o desabrochar daquilo que haviam inventado e iniciado, Manwë ofereceu uma grande festa; e os Valar e toda a sua gente atenderam ao convite. No entanto Aulë e Tulkas estavam exaustos; pois a habilidade de Aulë e a força de Tulkas haviam estado ininterruptamente a serviço de todos nos dias de sua faina. E Melkor sabia de tudo o que era feito pois já naquela época dispunha de espiões e amigos secretos entre os Maiar, que havia atraído para sua causa. E muito ao longe nas trevas ele se enchia de ódio, sentindo inveja do trabalho de seus pares e desejando submetê-los. Assim Melkor chamou a si os espíritos que desviara para seu serviço fazendo-os sair das mansões de Eä, e se considerou forte. E vendo que essa era sua hora ele mais uma vez se aproximou de Arda e baixou os olhos até ela; e a beleza da Terra em sua Primavera o enfureceu ainda mais.

Assim os Valar se reuniram em Almaren sem temer mal algum, e por causa da luz de Illuin não perceberam a sombra ao norte que vinha sendo lançada de longe por Melkor; pois ele se tornara escuro como a Noite do Vazio. E dizem as canções que naquela festa na Primavera de Arda, Tulkas desposou Nessa, irmã de Oromë, e ela dançou diante dos Valar sobre a relva verdejante de Almaren.

Tulkas então adormeceu, exausto e feliz, e Melkor acreditou que sua hora havia chegado. Transpôs as Muralhas da Noite com sua legião e chegou à Terra-média, a distância, no norte, sem que os Valar dele se apercebessem. Melkor iniciou então as escavações e a construção de uma enorme fortaleza nas profundezas da Terra debaixo das montanhas escuras onde os raios de Illuin eram frios e pálidos. Esta fortaleza foi chamado Utumno. E embora os Valar ainda nada soubessem a seu respeito, mesmo assim a perversidade de Melkor e a influência maléfica de seu ódio emanavam de lá, e a Primavera de Arda foi destruída. Os seres verdes adoeceram e apodreceram, os rios foram obstruídos por algas e lodo; criaram-se pântanos repelentes e venenosos, criatórios de moscas; as florestas tornaram-se sombrias e perigosas, antros do medo; as belas criaturas de Yavanna se transformaram em monstros dotados de chifre e corno cheias de desejo por sangue.

Os Valar tiveram então certeza de que Melkor estava agindo novamente e saíram à procura de seu esconderijo. Melkor porém, confiante na resistência de Utumno e no poder de seus servos apresentou-se de repente para a Luta e deu o primeiro golpe antes que os Valar estivessem preparados; atacou as luzes de Illuin e Ormal, arrasou suas colunas e quebrou suas Lâmpadas. Quando as enormes colunas desmoronaram terras fenderam-se e mares elevaram-se em turbulência. E quando as Lâmpadas foram derrubadas, labaredas destruidoras se derramaram pela Terra. E a forma de Arda além da simetria de suas águas e de suas terras foi desfigurada naquele momento de tal modo que os primeiros projetos dos Valar nunca mais foram restaurados.

Em meio à confusão e às trevas Melkor conseguiu escapar, embora o medo se abatesse sobre ele; pois mais alto que o bramido dos mares ele ouvia a voz de Manwë como um vento fortíssimo, e a terra tremia sob os pés de Tulkas. Chegou porém a Utumno antes que Tulkas conseguisse alcançá-lo; e ali permaneceu escondido. E os Valar não puderam então derrotá-lo já que a maior parte de sua força era necessária para controlar as turbulências da Terra e salvar da destruição tudo o que pudesse ser salvo de sua obra. Depois eles recearam fender novamente a Terra, enquanto não soubessem onde habitavam os Filhos de Ilúvatar que ainda estavam por vir num momento que desconheciam.

Assim terminou a Primavera de Arda. A morada dos Valar em Almaren foi totalmente destruída e eles não tinham nenhum local de pouso na face da Terra. Por esse motivo partiram da Terra-média e foram para a Terra de Aman, a mais ocidental de todas as terras junto aos limites do mundo; pois seu litoral oeste dá para o Mar de Fora que é chamado pelos elfos de Ekkaia e circunda o Reino de Arda. A extensão desse mar ninguém conhece a não ser os Valar; e, para além dele ficam as Muralhas da Noite. Já a costa leste de Aman era o limite mais distante de Belegaer, o Grande Mar do Oeste.

E como Melkor estava de volta à Terra-média e eles ainda não tinham como derrotá-lo, os Valar fortificaram sua morada. Junto ao litoral ergueram as Pelóri, as montanhas de Aman, as mais altas de toda a Terra. E acima de todas as montanhas das Pelóri elevava-se aquela em cujo pico Manwë instalou seu trono. Taniquetil é como os elfos chamam essa montanha sagrada. Já os sindar a mencionavam, em sua língua mais recente, como Amon Uilos. De seu palácio no cume da Taniquetil Manwë e Varda conseguiam descortinar a Terra inteira, até mesmo as maiores distâncias a leste.

A criação de Arda

A Criação de Arda
Sobre o Mundo e o Início dos Tempos
 
Sozinho no vazio vivia um ser onisciente chamado Eru, o Único, que depois seria chamado de Ilúvatar. Ele fez primeiro os Ainur, que eram filhos do seu pensamento e que estiveram com ele antes de alguma coisa mais ser feita, e para os Ainur habitarem criou os Salões Eternos.
 
E falava-lhes propondo temas de música que cantavam perante ele, e ficava satisfeito. Mas durante muito tempo cantavam só um de cada vez ou poucos juntos enquanto os restantes escutavam, pois cada um compreendia apenas uma pequena parte da mente de Ilúvatar e só lentamente iam compreendendo seus irmãos. No entanto todas as vezes que escutavam adquiriam uma compreensão mais profunda, e a sua unissonância e harmonia aumentavam. Então Ilúvatar disse aos Ainur: “Do tema que agora vos anunciei quero agora que façais juntos em harmonia uma grande música. E como acendi em vós a chama imperecível demonstrareis os vossos poderes no adorno deste tema, cada um com os seus próprios pensamentos e engenho, se assim quiser. Mas eu ficarei sentado e escutarei e feliz me sentirei por, através de vós grande beleza ter despertado num canto.”
 
Ilúvatar sentou-se a escutar e durante muito tempo aprovou o que ouvia, pois não havia erros na úsica. Mas à medida que o tema se desenvolvia entrou no coração de Melkor a vontade de cantar assuntos da sua própria imaginação que não estavam de acordo com o tema de Ilúvatar, pois procurava assim aumentar a força e a glória da parte que lhe fora destinada. A Melkor entre os Ainur tinham sido dados os maiores dons do poder e conhecimento, e ele compartilhava de todos os dons dos seus irmãos. Melkor fora muitas vezes sozinho aos lugares vazios à procura da flama imperecível pois crescia ardente nele o desejo de dar vida a coisas suas, e parecia-lhe que Ilúvatar não pensava no vazio e estava impaciente com esta vacuidade. Contudo não encontrou o fogo, pois ele estava com Ilúvatar. Mas sozinho começara a conceber pensamentos próprios, diversos dos seus irmãos.
 
Embora Tolkien diga em seus livros que a grande maioria dos Ainur permaneceu junto de Ilúvatar nos Salões Eternos, ele não nos diz mais nada sobre eles. Todos os acontecimentos subseqüentes em Arda falam apenas dos que desceram as esferas do mundo. Aqui esses espíritos tinham formas imateriais, eles se tornaram elementos da natureza. Como os deuses gregos e escandinavos os Valar podiam assumir formas físicas, tinham personalidades, gênero, e laços familiares uns com os outros. Os espíritos que desceram a Arda se dividem em dois tipos: os deuses chamados de Valar, e os semi-deuses chamados de Maiar.
 
Alguns desses pensamentos entreteceu agora na sua música e imediatamente houve dissonância à sua volta; muitos que cantavam perto dele ficaram desanimados, e o seu pensamento foi perturbado e a sua música vacilou; mas alguns começaram a afinar a sua música pela dele em vez de ser pelo pensamento que tinham ao princípio. Então a desafinação de Melkor alastrou ainda mais, e as melodias antes ouvidas soçobraram num mar de turbulento som. Mas Ilúvatar continuou sentado e a ouvir até parecer que à volta do seu trono havia uma tempestade violenta, como de águas escuras que se guerreavam entre si numa fúria infinita, que não se apaziguava.
 
No meio da contenda, em que as mansões de Ilúvatar estremeceram e um tremor percorreu os silêncios ainda não perturbados, Ilúvatar levantou-se uma terceira vez e o seu rosto era terrível de se ver. Então levantou ambas as mãos e, num acorde mais profundo que o abismo, mais alto do que o firmamento e penetrante como a luz dos olhos de Ilúvatar, a música cessou. Então, Ilúvatar falou e disse: “Poderosos são os Ainur e o mais poderoso dentre eles é Melkor; mas, para que ele saiba, e todos os Ainur, que sou Ilúvatar, as coisas que cantastes vos mostrarei, para que possais ver o que fizestes. E tu, Melkor, verás que nenhum tema pode ser tocado se não tiver a sua suprema fonte em mim, nem pode ninguém modificar a música a despeito meu. Pois aquele que o tentar apenas provará ser meu instrumento na invenção de coisas mais maravilhosas que ele próprio não imaginara”.
 
E foi assim que, ao ser-lhes mostrada esta visão do mundo, os Ainur viram que continha coisas que eles não tinham pensado. E viram com espanto a vinda dos filhos e a habitação que estava preparada para eles e perceberam que eles próprios, no labor da sua música, tinham estado atarefados com a preparação dessa habitação, e, contudo, não sabiam que tinha algum propósito além da sua própria beleza, pois os filhos de Ilúvatar só por ele eram imaginados; vieram com o terceiro tema e não constavam do tema proposto por Ilúvatar ao princípio, e nenhum dos Ainur participara na sua criação.
 
Mas, depois de os Ainur terem olhado essa morada numa visão e terem visto erguer-se nela os filhos de Ilúvatar, então muitos dos mais poderosos dentre eles concentraram todo o seu pensamento e todo o seu desejo nesse lugar. E, deles, Melkor foi o principal, assim como foi no princípio o maior dos Ainur que tomou parte na música. E fingiu, ao princípio até para consigo próprio, que desejava ir para lá e organizar todas as coisas para bem dos filhos de Ilúvatar, controlando as tempestades de calor e frio que através dele tinham passado. O que, porém, desejava era submeter à sua vontade tanto os Elfos como os Homens, invejoso dos dons com os quais Ilúvatar prometia dotá-los; e, pessoalmente, desejava ter súditos e servidores e ser tratado por senhor e dominar outras vontades.
Mas os outros Ainur olharam aquela morada instalada nos vastos espaços do mundo, a que os Elfos chamam Arda, a Terra, e os seus corações rejubilaram com a luz, e os seus olhos, ao verem muitas cores, encheram-se de contentamento; mas, por causa do rugido do mar, sentiram uma grande inquietação. E observaram os ventos e o ar e as matérias de que Arda era feita – ferro, pedra, prata, ouro e muitas substâncias – mas de todas elas foi a água que mais elogiaram.
 
E dizem os Eldar que na água ainda vive o eco da música dos Ainur, mais do que em qualquer outra substância existente nesta Terra; e muitos dos filhos de Ilúvatar escutam ainda, insatisfeitos, as vozes do mar, sem, contudo, saberem o que escutam. Ora, foi para a água que Ainu, a quem os Elfos chamam Ulmo, voltou o pensamento, e de todos foi o mais profundamente instruído em música por Ilúvatar. Mas sobre os ares e os ventos meditara mais Manwë, que é o mais nobre dos Ainur. Na contextura da Terra pensara Aulë, a quem Ilúvatar dera perícia e conhecimento pouco inferiores aos de Melkor; mas o deleite e o orgulho de Aulë estão no ato de fazer e na coisa feita, e não na posse nem na sua própria mestria; por isso ele dá em vez de guardar, é livre de cuidados e está sempre a dedicar-se a qualquer novo trabalho.
 
Então houve desassossego entre os Ainur, mas Ilúvatar falou-lhes e disse: “Conheço o desejo das vossas mentes de que o que vistes exista verdadeiramente, não só no vosso pensamento mas também como vós próprios existis, e, contudo, diferentemente. Por isso, eu digo: Eä! Que estas coisas existam! E enviarei para o vazio a flama imperecível e ela ficará no coração do mundo, e o mundo existirá; e aqueles de vós que quiserem ir para ele.” E, de súbito, os Ainur viram ao longe um luz, como se fosse uma nuvem com um coração vivo de chama, e souberam que não se tratava apenas de uma visão, mas sim que Ilúvatar fizera um coisa nova: Eä, o mundo que existe.
 
Aconteceu, assim, que dos Ainur alguns residiam ainda com Ilúvatar fora dos confins do mundo, mas outros, e entre eles muitos dos maiores e mais belos, despediram-se de Ilúvatar e desceram ao mundo. Mas uma condição Ilúvatar impôs , mesmo que se trate da necessidade do amor por eles, e foi a condição de que o poder dos que tal escolheram ficasse daí em diante contido e limitado no mundo, para ficar dentro dele para sempre, até estar completo, de modo que eles são a sua vida e ele é a vida deles. E por isso se chamam os Valar, os poderes do mundo.
 
Mas, quando entraram em Eä, os Valar ficaram, ao princípio, estupefatos e sem compreender, pois não parecia nada ter sido ainda feito do que tinham visto na visão e tudo estar apenas a começar e ainda informe, e era escuro. É que a grande música fora apenas o desabrochar e o florescimento do pensamento nas mansões eternas e a visão somente fora uma prefiguração; mas agora tinham entrado no princípio do tempo, e os Valar perceberam que o mundo não fora mais do que prenunciado e pré cantado, e eles tinham de realizá-lo. Assim começaram os seus grandes labores em desertos incomensuráveis e inexplorados, durante eras incontáveis e esquecidas, até, nas profundezas do tempo e no meio das imensas mansões de Eä, chegarem aquela hora e aquele lugar em que foi feita a morada dos filhos de Ilúvatar. E, desse trabalho, a parte principal foi assumida por Manwë, Aulë e Ulmo
 
Portanto, quando a Terra ainda era jovem e cheia de flama, Melkor cobiçou-a e disse aos outros Valar: “Este será o meu reino, e meu o proclamo!”. Mas Manwë era irmão de Melkor na mente de Ilúvatar e o principal instrumento do segundo tema que Ilúvatar apresentara contra a desafinação de Melkor; e chamou a si muitos espíritos, tanto maiores como menores, e estes desceram aos campos de Arda e ajudaram Manwë, não fosse Melkor impedir para sempre a realização do seu labor e a Terra murchar antes de florir. E Manwë disse a Melkor: “Este reino não tomarás injustamente como teu, pois muitos outros aqui trabalharam não menos do que tu.” E houve contenda entre Melkor e os outros Valar; e, por essa vez, Melkor recuou e partiu para outras regiões, nas quais fez como lhe aprouve, mas não tirou do coração o desejo do reino de Arda.
 
E os Valar chamaram a si muitos companheiros, alguns inferiores e alguns quase tão grandes quanto eles próprios, e trabalharam juntos no ordenamento da Terra e na contenção dos seus tumultos. Então, Melkor viu o que estava feito e que os Valar caminhavam na Terra como poderes visíveis, envoltos no trajar do mundo, e que eram encantadores e gloriosos de ver, e felizes, e que a Terra se estava a tornar como que um jardim para seu deleite, pois as suas convulsões estavam subjugadas. A sua inveja tornou-se ainda maior dentro dele e também assumiu forma visível, mas, por via da sua disposição e da maldade que nele ardia, essa forma foi escura e terrível.
 
Assim começou a primeira batalha dos Valar com Melkor pelo domínio de Arda; e, desses tumultos, os Elfos pouco sabem, pois o que foi aqui declarado proveio dos próprios Valar, com quem os Eldalië falaram na terra de Valinor e por quem foram instruídos; mas pouco quiseram os Valar dizer das guerras anteriores à chegada dos Elfos. No entanto, diz-se entre os Eldar que os Valar sempre tentaram , a despeito de Melkor, dominar a Terra e prepará-la para a vinda dos primogênitos; e construíram terras e Melkor destruiu-as, escavaram vales , que Melkor soergueu, esculpiram montanhas, que Melkor arrasou, abriram mares, que Melkor derramou; e nada podia ter paz ou crescimento duradouro, pois assim que os Valar iniciavam um labor, tão logo Melkor o desfazia ou corrompia.